Este show será especial...
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
7 ANOS DE CARREIRA
Muita coisa boa já aconteceu até aqui e tenho certeza que muito mais coisa boa ainda virá.
Este show será especial...
Este show será especial...
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Só aplausos?
Fui assistir ao filme “Uma Noite em 67”, que é um documentário sobre o Festival daquele ano e seus principais Artistas.
No meio do filme, me veio a pergunta que não quer calar: onde foram parar as vaias?
.
.
Reparem:
Quem gostava, aplaudia. Com emoção.
Quem não gostava, vaiava. Com a emoção oposta.
.
A possibilidade de ser vaiado fazia com que o Artista repensasse o que fazer diante do público.
.
Mas as vaias ficaram no século passado, né?
Agora tudo é aplauso!
Qualquer um canta qualquer coisa e: clap, clap, clap!
Se a quantidade de palmas não for suficiente, o artista remenda:
"Quem gostou faz barulho aí, PÔ!"
E quem não gostou faz o que? Apenas silêncio?
PÔ! A vaia era o "barulho" de quem não gostou.
.
"Aplauso x vaia" virou "barulho x silêncio"?
.
Aplaudir tornou-se uma imposição social velada. É a única opção. É pseudo-elegante.
Mas aplaudir não era apenas UMA entre DUAS opções?
O aplauso não era para ser um apoteótico "sim" contrapondo-se ao desconcertante "não" da vaia?
.
O "sim" sem o "não" não perde totalmente o seu sentido?
.
Mas o entendimento moderno é o outro: quem aplaude é gente boa, tá feliz, bem resolvido e de bem com a vida.
Quem vaia tá amargurado, tá triste, deve estar fudido, com algum problema sério ou deve ter brigado em casa.
.
Então, "aplauso x vaia" deixou de ser uma medida do desempenho do Artista e passou a ser uma medida da psicologia do ESPECTADOR.
.
"Gente, vamos bater palma pro Fulano que acabou de cantar!"
Entenda-se: "Gente, vamos fingir que todo mundo gostou, né?"
Que solidariedade às avessas é essa? Ser elegante mentindo?
E quem não gostou da apresentação - geralmente imposta - do Fulano?
É obrigado a bater palma bem fraquinho, em sinal de desaprovação?
Como assim? Aplaudir para desaprovar?
.
Alguém vai dizer: "O Fregonesi tá maluco. Quem foi que disse que pega mal vaiar?"
Não é que pega mal...
Mas esse mesmo alguém vai te perguntar:
"Está tudo bem com você? Você está vaiando?"
"Sim, comigo tá tudo ótimo! Quem não tá nada bem é aquele artista ali..."
.
E ninguém vai deixar claro pro artista que ele mandou mal?
Tadinho.
Vai mandar mal a vida toda, jurando que mandou bem?
Não seria melhor ter vaiado pra depois o cara melhorar e MERECER um caloroso e justo aplauso?
Muitos responderão: "Não! Vamos dizer DEPOIS, com calma, em particular pro cara que ele mandou mal..."
Mas ele NUNCA vai entender que mandou mal se, na verdade, todo mundo "aplaudiu pra caramba".
E talvez ele pense que você só sabe é reclamar de "tudo". E você vai ficar com cara de otário e fama de chato, mesmo que esteja coberto de razão.
Porque só quem aplaudiu é bacana.
.
“Vaias x aplausos” eram as dicas no “Jogo da Vida” do Artista.
APLAUSOS: Avance 5 casas. Você mandou bem.
VAIAS: Volte 10 casas e tente novamente. Você mandou mal.
.
Dizem que os Artistas da "Época dos Festivais" eram melhores que os atuais.
Discordo 100%.
Os Artistas de agora são tão bons quanto.
Mas concordo que na "Época das VAIAS" os Caras ficavam mais criteriosos para não passarem vergonha.
Portanto, não ERAM melhores. TORNAVAM-SE melhores.
.
Conclusão:
Atualmente, com esse monte de aplauso sobrando por aí, nós, Artistas, temos que reafirmar a nossa música e o nosso ponto-de-vista artístico APESAR DOS APLAUSOS que sempre recebemos.
.
Momento cultural:
No citado Festival de 67, a classificação final foi:
1º- Ponteio (Edu Lobo / Capinam)
2º- Domingo no Parque (Gilberto Gil)
3º- Roda Viva (Chico Buarque)
4º- Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
5º- Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná)
Este 5º lugar foi um SAMBA cantado por Roberto Carlos!
Veja (a partir do minuto 3:40) as vaias e os aplausos que ele recebeu:
.
Conclusão 2:
Grandes Artistas são feitos de vaias e aplausos.
No meio do filme, me veio a pergunta que não quer calar: onde foram parar as vaias?
.
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Reparem:
Quem gostava, aplaudia. Com emoção.
Quem não gostava, vaiava. Com a emoção oposta.
.
A possibilidade de ser vaiado fazia com que o Artista repensasse o que fazer diante do público.
.
Mas as vaias ficaram no século passado, né?
Agora tudo é aplauso!
Qualquer um canta qualquer coisa e: clap, clap, clap!
Se a quantidade de palmas não for suficiente, o artista remenda:
"Quem gostou faz barulho aí, PÔ!"
E quem não gostou faz o que? Apenas silêncio?
PÔ! A vaia era o "barulho" de quem não gostou.
.
"Aplauso x vaia" virou "barulho x silêncio"?
.
Aplaudir tornou-se uma imposição social velada. É a única opção. É pseudo-elegante.
Mas aplaudir não era apenas UMA entre DUAS opções?
O aplauso não era para ser um apoteótico "sim" contrapondo-se ao desconcertante "não" da vaia?
.
O "sim" sem o "não" não perde totalmente o seu sentido?
.
Mas o entendimento moderno é o outro: quem aplaude é gente boa, tá feliz, bem resolvido e de bem com a vida.
Quem vaia tá amargurado, tá triste, deve estar fudido, com algum problema sério ou deve ter brigado em casa.
.
Então, "aplauso x vaia" deixou de ser uma medida do desempenho do Artista e passou a ser uma medida da psicologia do ESPECTADOR.
.
"Gente, vamos bater palma pro Fulano que acabou de cantar!"
Entenda-se: "Gente, vamos fingir que todo mundo gostou, né?"
Que solidariedade às avessas é essa? Ser elegante mentindo?
E quem não gostou da apresentação - geralmente imposta - do Fulano?
É obrigado a bater palma bem fraquinho, em sinal de desaprovação?
Como assim? Aplaudir para desaprovar?
.
Alguém vai dizer: "O Fregonesi tá maluco. Quem foi que disse que pega mal vaiar?"
Não é que pega mal...
Mas esse mesmo alguém vai te perguntar:
"Está tudo bem com você? Você está vaiando?"
"Sim, comigo tá tudo ótimo! Quem não tá nada bem é aquele artista ali..."
.
E ninguém vai deixar claro pro artista que ele mandou mal?
Tadinho.
Vai mandar mal a vida toda, jurando que mandou bem?
Não seria melhor ter vaiado pra depois o cara melhorar e MERECER um caloroso e justo aplauso?
Muitos responderão: "Não! Vamos dizer DEPOIS, com calma, em particular pro cara que ele mandou mal..."
Mas ele NUNCA vai entender que mandou mal se, na verdade, todo mundo "aplaudiu pra caramba".
E talvez ele pense que você só sabe é reclamar de "tudo". E você vai ficar com cara de otário e fama de chato, mesmo que esteja coberto de razão.
Porque só quem aplaudiu é bacana.
.
“Vaias x aplausos” eram as dicas no “Jogo da Vida” do Artista.
APLAUSOS: Avance 5 casas. Você mandou bem.
VAIAS: Volte 10 casas e tente novamente. Você mandou mal.
.
Dizem que os Artistas da "Época dos Festivais" eram melhores que os atuais.
Discordo 100%.
Os Artistas de agora são tão bons quanto.
Mas concordo que na "Época das VAIAS" os Caras ficavam mais criteriosos para não passarem vergonha.
Portanto, não ERAM melhores. TORNAVAM-SE melhores.
.
Conclusão:
Atualmente, com esse monte de aplauso sobrando por aí, nós, Artistas, temos que reafirmar a nossa música e o nosso ponto-de-vista artístico APESAR DOS APLAUSOS que sempre recebemos.
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Momento cultural:
No citado Festival de 67, a classificação final foi:
1º- Ponteio (Edu Lobo / Capinam)
2º- Domingo no Parque (Gilberto Gil)
3º- Roda Viva (Chico Buarque)
4º- Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
5º- Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná)
Este 5º lugar foi um SAMBA cantado por Roberto Carlos!
Veja (a partir do minuto 3:40) as vaias e os aplausos que ele recebeu:
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Conclusão 2:
Grandes Artistas são feitos de vaias e aplausos.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Nosso Samba - Portela 2011
Em primeira mão, o nosso samba concorrente na Portela para o Carnaval 2011!
G.R.E.S. PORTELA 2011
Enredo: "Rio, Azul da Cor do Mar"
Compositores:
Diogo Nogueira
Ciraninho
Rafael dos Santos
João Martins
Leandro Fregonesi
Samba alusivo - introdução:
"O Mar Serenou" (Candeia)
Intérprete:
Luizinho Andanças
.
ESTRELAS VÃO ME GUIAR
POR ÁGUAS QUE GUARDAM SEGREDOS
SINGRANDO O AZUL INFINITO
O HOMEM SE LANÇA E VENCE O MEDO
DESAFIANDO A FÚRIA DO MAR
RAIOS, TROVÕES ESCONDENDO O LUAR
SERES DA MITOLOGIA, LENDAS, MISTÉRIOS, MAGIA...
E SOB A LUZ DE ALEXANDRIA
EU VI ANTIGAS CIVILIZAÇÕES, EMBARCAÇÕES DO ORIENTE
NAS ÍNDIAS ME ENCANTEI, POR SEUS CAMINHOS NAVEGUEI
O CÉU E O MAR VÃO SE ENCONTRAR
UM NOVO MUNDO REVELAR
RIQUEZAS E BELEZAS
UM PARAÍSO A EXPLORAR
MAREJOU O CORAÇÃO DO NEGRO QUE FICOU
E VIU PARTIR O SEU IRMÃO DE COR
NA CARAVELA DO INVASOR
NAS MARÉS, O VENTO FORTE DA AMBIÇÃO
LEVOU CORSÁRIOS E PIRATAS
A COBIÇAR TESOUROS DESSE CHÃO
E LÁ VAI MINHA JANGADA ENFRENTANDO A MADRUGADA
PELO GIGANTE BRASIL
DE NATUREZA ABENÇOADA
TERRA ADORADA, DE ENCANTOS MIL!
E NESSE RELICÁRIO... NO PORTO CENTENÁRIO...
A ÁGUIA TRANSBORDA EMOÇÃO, DESAGUA A INSPIRAÇÃO
E AS SETE ARTES ETERNIZAM
O LINDO AZUL DO NOSSO PAVILHÃO!
CANTA PORTELA
NO REINO DE IEMANJÁ!
VEM NO BALANÇO DAS ONDAS DO MAR
FAZ O MEU RIO SAMBAR!
.
Se você é daqueles aficcionados por samba-enredo, aqui vai a sinopse que foi entregue a todos os Compositores:
G.R.E.S. PORTELA 2011
Enredo: "RIO, AZUL DA COR DO MAR"
Autores: Marta Queiroz, Cláudio Vieira e Roberto Szaniecki
Carnavalesco: Roberto Szaniecki
"Porto de Sapucahy, verão de 2011
Soltem as amarras e deixem as velas enfunar ao sabor do vento.
Vejam o cais se distanciar e, com ele, as lembranças que ficaram, Na bagagem, trazemos sonhos e esperança. Nossos olhos já não conseguem divisar o que é mar, o que é céu, e tentam traçar uma linha de equilíbrio no horizonte. Singramos no azul!
Subamos à gávea para conversar com as estrelas, companheiras de saudades e solidão. Ora, direis, ouvir estrelas... Por que não?
Estrelas são quase tudo o que temos. Além delas, trazemos instrumentos que nos ajudarão a decifrá-las. Elas se espalham pelo céu formando desenhos e um deles nos chama a atenção. É uma águia! Sim, uma águia em forma de constelação. E será esta que escolheremos para nos guiar pela imensidão.
Dizem que o destino está traçado nas estrelas. Ensinam que precisamos de muita coragem para enfrentar os perigos e, sobretudo, determinação. E, com fé em Deus, navegaremos pelos sete mares que abrirão os portais do coração.
No Reino de Poseidon, tempestade e bonança
Estamos a muitas braças do continente, nessa noite tenebrosa.
A fúria do vento força a resistência dos cabos que sustentam o mastro principal. O tecido das velas parece que não conseguirá resistir. Ondas se agigantam, cobrindo o casco. Raios, relâmpagos e trovões abrem fendas no firmamento.
Começamos a enfrentar o desafio do desconhecido. E, sem que tenhamos tempo de raciocinar, nos deparamos com o medo escondido em nossos porões.
Das profundezas surgem criaturas fantásticas! São polvos, serpentes e dragões abrindo uma estrada na espuma, levando-nos por um turbilhão sem fim.
Ao abrirmos os olhos, porém, tudo se transforma. Cavalos marinhos conduzidos por guerreiros transportam o cortejo de reis e rainhas que governavam a crença de civilizações que desapareceram no mar abissal.
O que tenta nos dizer a tempestade, afinal?
Respeitar o que é do mar, mas nunca temer. Acima de toda maldade, o bem sempre há de vencer.
Mare Nostrum, sob a luz de Alexandria
Estas galés que cruzam o nosso caminho transportam toras de cedro, tapetes, tecidos, cerâmicas, corantes, jóias, peças de metal e outros produtos que as mãos do homem foram capazes de moldar.
Do Oriente partem gigantescas embarcações. São os chineses oferecendo novas trocas, ampliando suas rotas, construindo relações.
São mercadorias que remontam aos tempos dos primeiros navegantes, que se lançaram ao mar. Para trocá-las em outros portos, fenícios e egípcios não imaginavam que também deixariam vestígios de sua cultura milenar.
Gregos e romanos inauguraram um tempo de conquistas, ampliando as frentes de comércio e os limites de seus territórios.
Da distante Alexandria, brilha uma chama, transformando a noite em dia.
A caminho de Calicut
Debruçados sobre mapas, lendas e antigos relatos tentamos encontrar o caminho que nos levará às misteriosas terras das especiarias. É para lá que apontam nossos olhos, mergulhados em fascínio.
Para proteger este comércio, mercadores árabes semearam lendas de monstros e gigantes que devoravam quem ousasse cruzar os seus domínios.
Tudo mentira. O pesadelo agora é um sonho. As águas ganham novos matizes e como atrizes representam cada uma de nossas expectativas: cravo, canela, açafrão, flor de lótus e também porcelanas, tapetes, sedas e jóias que não se cansam de brilhar.
As mais variadas fragrâncias se misturam no ar. Conseguimos, estamos em Calicut! Mas não devemos nos demorar.
Atlântico, em direção ao Pacífico
O Velho Mundo despertou para um novo século sabendo que não estava mais só. Por trás do horizonte, entre o nascente e o poente, existiam outras terras e riquezas a se alcançar.
Eram terras primitivas, que ficavam muito além da calmaria e daqui podemos vê-las. Ao dia, parece uma deslumbrante miragem, ocupada por nativos, adornadas pela praias e a plumagem dos pássaros mais bonitos que já se viu. Eis a visão do paraíso tropical.
São tantas terras que nossos olhos se perdem ao tentar abraçá-las. Elas se escondem sob florestas, percorrem montanhas e flutuam nas nuvens, onde guardam segredos e mistérios de antigos impérios, que se curvam diante do Sol.
Quantas riquezas brotam de suas nascentes! Ouro, prata, pedras preciosas e uma madeira estranha, que tinge de sangue o tecido mias nobre. Dizem que o futuro a perpetuará na força de um gigante chamado Brasil.
Mare Liberum, numa ilha do Caribe
Quantas estradas se abrem neste azul sem fim! O Atlântico é cortado em todas as direções. Embarcações de diversas bandeiras transportavam cana-de-açúcar, café, tabaco e algodão.
Já não existem fronteiras para o comércio, nem medidas para a ambição. Outras galés rumam para a África, inaugurando a rota do tráfico negreiro. Trazem milhões de escravos, despejando-os em solo americano. Aceleram a produção, deixando uma dor que não se apaga e uma chaga que ainda marca o sentimento humano.
Negros vão, corsário vem. Omar já não pertence nem à Armada do Rei. Agora, é terra de ninguém.
Brasil, entre riquezas e belezas
Abençoada natureza, que sempre encantará os olhos de quem veleja no aconchego dessa Baía. A mesma brisa que traz lembranças do passado, sopra na direção do futuro, ensinando que o mar foi, é e será a principal via de comunicação entre os povos mais distantes.
Salve, Porto centenário, e esse intenso vai-e-vem do comércio exterior. Foi aqui que começaram e depois se intensificaram nossas relações com o estrangeiro.
Esse marulhar fustiga a todo instante, recordando investidas e o leva-e-traz. As ondas não se cansam de contar todos os tesouros que ficaram para trás; mas ainda guardam nas profundezas a mais preciosa das riquezas, que, por muito tempo, nos impulsionará.
Rio de Janeiro, ponto de encontro de brasileiros de Norte a Sul, de Leste a Oeste; que recebe de braços abertos o jangadeiro e outros irmãos do Nordeste. Rio das praias, das raias, cruzeiros, pescadores da noite e da vida marinha. Terra de São Sebastião, paraíso dos golfinhos.
Porto dos Amores, Fonte de Inspiração
Aqui da proa, quando olhamos para trás, não conseguimos dar conta do tempo que passou. Orientados pelas estrelas, desafiamos tempestades, enfrentamos inimigos e aprendemos que navegar é preciso - mas na mesma direção!
Foi assim que descobrimos novos continentes, inauguramos a rota do oriente e encontramos em pleno mar a Fonte da Inspiração.
Traduzimos os sentimentos em música, transportamos a emoção para a ópera e o teatro, recriamos aventuras em romances, no cinema eternizamos sagas e amores em páginas de clássicos memoráveis. Quando pintamos uma marina, tentando retratar a fascinação que existe em tanto mar, deixamos o azul brincar na tela.
Descobrimos que o mar é apenas um tema: ele tem início, meio e fim, é um enredo. E toda essa experiência começou quando vencemos o medo, desfraldando as velas do Carnaval.
Pois, o amor é azul.
O céu é azul.
O mar é azul.
E entre eles, navega a nossa querida Portela!"
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Outro dia, com a calma necessária, eu escrevo sobre esta nossa parceria, que já tem quase 10 anos: quando começou, como aconteceu, como foram os caminhos até aqui e outras curiosidades.
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Boa audição e bom Carnaval a todos!
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Clipe no Youtube
Assista aqui:
Música: "DO TAMBOR AO TERÇO" (Leandro Fregonesi / Rafael dos Santos)
.
MAKING OF - Fotos

O fotógrafo Jeovan Junior clicou os bastidores do clipe.

Larissa Sarmento, a "Maria Benvinda de Aparecida".

Gustavo Nasr, diretor de fotografia, com a câmera HD. Ao fundo, Marcio Vianna (de preto), diretor e roteirista, orienta os participantes.

Léo Ávila buscando o melhor ângulo.

Roda de samba. Um panorama geral do set.

Dona Lizete nos quitutes.

Na Rua do Lavradio, gravando a cena final, enquanto a equipe se reúne para solucionar detalhes da iluminação (ao fundo).

Os amigos gravaram pequenas cenas para os cortes.

Marcio Vianna, Juliana Bach e Thiago Sacramento: direção e produção

Depois da gravação, uma foto de lembrança.
.
FICHA TÉCNICA - Clipe: LEANDRO FREGONESI - DO TAMBOR AO TERÇO
Produção: Café com Leite Produções
Equipe/Produção
Marcio Vianna: Direção / Roteiro
Thiago Sacramento: Direção / Edição de imagens
Gustavo Nasr: Direção de Fotografia / Câmera
Léo Ávila: Iluminação / Câmera
Carla Berri: Direção de Arte
Brunna Napoleão: Figurinos
Jeovan Junior: Fotógrafo
Mari Vieira: Maquiagem
Juliana Bach, Lizete Oliveira e Lerrânia Lima: Produção executiva
Caio Flavoni e Renan Lima: Assistentes de produção
Atriz convidada: Larissa Sarmento
Artistas / Músicos da roda: Adão Jorge, Adílson Fumaça, André Rios, Daniel Karin, Felipe Barros, Guilherme Sá, Guilherme Oliveira, João Martins, Jorge Alexandre, Júlio Erthal, Monique Kessous e Thaís Motta
Atrizes / Figurantes: Carina Lopes, Carla Pecegueiro, Carolina Borges, Eugênia Rodrigues, Joana Rodrigues, Marcos César, Rany Carneiro e Rodrigo Ventura
Local e data da gravação: Santo Scenarium, Rio de Janeiro, em 29/10/2008.
Agradecimentos Especiais: Célia Menezes e Thiago Espósito (Rio Scenarium e Santo Scenarium)
Agradecimentos aos funcionários da Casa: Ricardo D’Amorim, Ane Brito, Cátia Caldeira, João Carlos e Mariluce Pereira
.
DO TAMBOR AO TERÇO
(Autores: Leandro Fregonesi e Rafael dos Santos)
Álbum: Festa das Manhãs (FRG Cultural / Tratore)
ISRC: BR-LE6-05-00007
Direção Musical: Maestro Ivan Paulo
Músicos: Mauro Diniz, Marcos Esguleba, Belôba, Gordinho, Jorge Gomes, Jamil Joanes, Alceu Maia, Ze Carlos, Carlinhos 7 Cordas, Jaguara, Fernando Merlino, Monique Kessous, Tania Machado, Thaís Motta, Suley, Chico Donadoni e Marcello Furtado
Música gravada, mixada e masterizada nos estúdios da Cia. dos Técnicos, Rio de Janeiro.
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E assim fica o registro de agradecimento a todos que viabilizaram esta produça!
Música: "DO TAMBOR AO TERÇO" (Leandro Fregonesi / Rafael dos Santos)
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MAKING OF - Fotos
O fotógrafo Jeovan Junior clicou os bastidores do clipe.
Larissa Sarmento, a "Maria Benvinda de Aparecida".
Gustavo Nasr, diretor de fotografia, com a câmera HD. Ao fundo, Marcio Vianna (de preto), diretor e roteirista, orienta os participantes.
Léo Ávila buscando o melhor ângulo.
Roda de samba. Um panorama geral do set.
Dona Lizete nos quitutes.
Na Rua do Lavradio, gravando a cena final, enquanto a equipe se reúne para solucionar detalhes da iluminação (ao fundo).
Os amigos gravaram pequenas cenas para os cortes.
Marcio Vianna, Juliana Bach e Thiago Sacramento: direção e produção
Depois da gravação, uma foto de lembrança.
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FICHA TÉCNICA - Clipe: LEANDRO FREGONESI - DO TAMBOR AO TERÇO
Produção: Café com Leite Produções
Equipe/Produção
Marcio Vianna: Direção / Roteiro
Thiago Sacramento: Direção / Edição de imagens
Gustavo Nasr: Direção de Fotografia / Câmera
Léo Ávila: Iluminação / Câmera
Carla Berri: Direção de Arte
Brunna Napoleão: Figurinos
Jeovan Junior: Fotógrafo
Mari Vieira: Maquiagem
Juliana Bach, Lizete Oliveira e Lerrânia Lima: Produção executiva
Caio Flavoni e Renan Lima: Assistentes de produção
Atriz convidada: Larissa Sarmento
Artistas / Músicos da roda: Adão Jorge, Adílson Fumaça, André Rios, Daniel Karin, Felipe Barros, Guilherme Sá, Guilherme Oliveira, João Martins, Jorge Alexandre, Júlio Erthal, Monique Kessous e Thaís Motta
Atrizes / Figurantes: Carina Lopes, Carla Pecegueiro, Carolina Borges, Eugênia Rodrigues, Joana Rodrigues, Marcos César, Rany Carneiro e Rodrigo Ventura
Local e data da gravação: Santo Scenarium, Rio de Janeiro, em 29/10/2008.
Agradecimentos Especiais: Célia Menezes e Thiago Espósito (Rio Scenarium e Santo Scenarium)
Agradecimentos aos funcionários da Casa: Ricardo D’Amorim, Ane Brito, Cátia Caldeira, João Carlos e Mariluce Pereira
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DO TAMBOR AO TERÇO
(Autores: Leandro Fregonesi e Rafael dos Santos)
Álbum: Festa das Manhãs (FRG Cultural / Tratore)
ISRC: BR-LE6-05-00007
Direção Musical: Maestro Ivan Paulo
Músicos: Mauro Diniz, Marcos Esguleba, Belôba, Gordinho, Jorge Gomes, Jamil Joanes, Alceu Maia, Ze Carlos, Carlinhos 7 Cordas, Jaguara, Fernando Merlino, Monique Kessous, Tania Machado, Thaís Motta, Suley, Chico Donadoni e Marcello Furtado
Música gravada, mixada e masterizada nos estúdios da Cia. dos Técnicos, Rio de Janeiro.
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E assim fica o registro de agradecimento a todos que viabilizaram esta produça!
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Alcione e Diogo
Para os curiosos de plantão, olha só o que eu achei:
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O jornalista Mauro Ferreira escreveu em seu blog:
"Parceria de Leandro Fregonesi com Ciraninho, o samba romântico "Amor Imperfeito" ganhou registro ao vivo feito pelo cantor Diogo Nogueira em dueto com Alcione. O samba se ajustou perfeitamente ao estilo da Marrom, uma das convidadas da gravação do segundo DVD de Diogo".
E reforçou, em outro post:
"Amor Imperfeito (Leandro Fregonesi e Ciraninho) tem toda pinta de hit radiofônico".
.
Será?
.
O DVD também contou com as participações de Chico Buarque, Ivan Lins e Hamilton de Holanda.
.
Curiosidade:
Toda vez que o Diogo ouvia a gente cantando esta música, ele dizia:
"Esse samba é pra ALCIONE gravar!"
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O jornalista Mauro Ferreira escreveu em seu blog:
"Parceria de Leandro Fregonesi com Ciraninho, o samba romântico "Amor Imperfeito" ganhou registro ao vivo feito pelo cantor Diogo Nogueira em dueto com Alcione. O samba se ajustou perfeitamente ao estilo da Marrom, uma das convidadas da gravação do segundo DVD de Diogo".
E reforçou, em outro post:
"Amor Imperfeito (Leandro Fregonesi e Ciraninho) tem toda pinta de hit radiofônico".
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Será?
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O DVD também contou com as participações de Chico Buarque, Ivan Lins e Hamilton de Holanda.
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Curiosidade:
Toda vez que o Diogo ouvia a gente cantando esta música, ele dizia:
"Esse samba é pra ALCIONE gravar!"
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Obrigado, Helena Pinheiro!
Sabe aquilo que eu falei aqui de a letra "Mediterrânea" ter ficado sem melodia?
Pois bem, a minha parceira e madrinha musical Helena Pinheiro resolveu a questão e fez uma bela música. Olha a "demo" aí:
MEDITERRÂNEA
(Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
Sais do Mar Egeu
Águas de Jasmim
Pedras de Turin
Flores de Madri
Luzes de Paris
Frutas do Irã
Cheiros de Avelã
Ouros, mirras, chás
Véus de muita cor
Ventos de Israel
Cravos de Istambul
Luas pelo céu
Áfricas do Sul
Sons de Gibraltar
Velas de Kabul
Só você e eu
E o mar
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A propósito, eu e Helena somos amigos - e como me honra ser amigo dela! - há uns 15 anos e nossa parceria tem nos proporcionado muita coisa boa nesta estrada musical.
Eu gravei a nossa "Pra Quem é de Choro" no meu disco "Festa das Manhãs, com lindo arranjo de Mauro Diniz e o bandolim de Marcílio Lopes. Este choro foi uma primeira ideia de letra que ela havia me mandado e eu terminei com o que faltava da letra e com a melodia. Esta nossa música tem sido bastante tocada aqui no Rio na Rádio Roquete Pinto (94,1 FM) no programa "Choro, Chorinhos e Chorões", da apresentadora Clarice Azevedo.
PRA QUEM É DE CHORO
(Helena Pinheiro / Leandro Fregonesi)
Choro... Mas choro sem reclamar
Que é hora de aproveitar o som do choro
Lamento da madrugada, dedilhadinho
Música de calçada no cavaquinho
A emoção delicada faz acordar passarinhos
Choro... Mas choro de alegria
Vestida de fantasia a alma chora
Então se faz bailarina, bem de mansinho
Brilho de purpurina tem meu chorinho
E numa noite divina faz acordar passarinhos
Mão ligeira do mestre do choro
Que me ensinou a tocar
Faço um breque, uma pausa, um repique
Pra quem é de choro chorar
Me emociona ver essa moçada
Que hoje é tão aprendiz
Se encantando com o encanto do choro do meu país
.
Helena mora em Brasíla.
Um dia, ela estava pelo Rio e fomos juntos pra uma Roda de samba que estava sendo organizada pelo amigo Ciraninho, na Barra.
Conversamos muito sobre um monte de bobagens e naquela noite, por muitos motivos, o papo girou em torno das relações amorosas e sobre como elas podem ser surpreendentes em suas idas e vindas, em seus erros e acertos.
E como, muitas vezes, os casais se reencontram após um tempão separados para refazer a história interrompida.
Quando se reencontram, "parece ontem".
Muitas cervejas depois, e antes de eu perder a chave do carro (isso aconteceu antes da Lei Seca... hehehe), comecei a escrever uma letra sobre este assunto na toalha de papel da mesa do pagode.
Helena levou a letra com ela, para fazer um samba. Quando veio de novo ao Rio, o samba estava pronto.
PARECE ONTEM
(Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
PARECE ONTEM
TEMPO PAROU
E TE GUARDOU PRA MIM
E FOI ASSIM
QUE EU DESCOBRI
QUE O AMOR NÃO TEVE FIM
NÃO ME ESQUIVEI
NÃO TE ESQUECI
NÃO TE CONTEI O QUE EU VIVI
TAMBÉM CHOREI
E FUI FELIZ
FOI POR UM TRIZ
AMEI O AMOR QUE BEM ME QUIS
ME PREPAREI PRA TE ESPERAR
ME PERFUMEI, BANHO DE MAR
EU ARRANJEI UM BOM LUGAR
PRA GENTE SER FELIZ
VOCÊ MUDOU
MUDEI, ENFIM
VOCÊ VOLTOU
TAMBÉM VOLTEI
DE VOLTA AO CAIS
E AO MESMO MAR
AO TE ENCONTRAR
EU APORTEI
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Nossa música mais bonita, porém, na minha opinião, é a "Quem Sabe".
Se não é a mais bonita, pelo menos foi a que mais gostei de compor com a Helena.
Eu estava em Brasília, numa das muitas vezes em que fui fazer show lá e nós marcamos um chopp no Carpe Diem, um dos bons bares da Capital.
No meio do papo, estávamos falando de que? De relacionamentos.
E lancei:
"Vamos fazer uma música HOJE? A gente não sai deste bar enquanto não fizer uma música. Fechado?"
Ela topou. E começamos a esboçar, no guardanapo, a música:
"Havia sim... Saudade".
E fomos costurando os trechos da canção que nascia.
Era assim: eu fazia um trechinho, ela fazia outro trechinho e parávamos.
Bebíamos, conversávamos e a música ficava ali na mesa esperando a hora de ficar pronta de vez.
Mas deu uma travada na inspiração e a gente meio que se convenceu de que seria melhor terminar outro dia.
Até que eu fui ao banheiro descarregar os chopps e voltei, já sem saber meu nome, pelo meio do bar cantando:
"E eu ri de mim... Verdaaaade!"
Helena gargalhava aos tubos.
Isso desopilou a nossa inspiração e a música nasceu ali mesmo, com os graçons já levantando as cadeiras e sugerindo:
"Vocês não gostariam de fechar a conta?".
Nós: "Calma, amigo, a música está quase pronta!"
Garçom: "Hã?! Essa música aí vocês estão FAZENDO agora?"
Nós: "Sim, estamos compondo..."
Garçom: "Sério? Está ficando bonita!"
Nós: "Obrigado! Estamos terminando. Duas saideiras e a conta. Pode ser?"
QUEM SABE
(Helena Pinheiro / Leandro Fregonesi)
Havia sim saudade
Não por você, por medo
Mas fui assim sem pressa
E eu não guardei segredo
Quem viu meu silêncio
Vazar dos olhos
Pensou que eu pudesse
Evitar o tempo
Pensou que eu pudesse
Estancar na alma
A febre de não ter
Amor por perto
E eu ri de mim... Verdade
Ah, se eu pudesse falar de tudo
Dos erros, quem sabe, de acertos
Quem sabe, de nós... Ah...
Quem sabe de nós?
Quem sabe...
.
Curiosidade:
Como muitos sabem, morei um tempo em Brasília, onde conheci Helena Pinheiro, uma carioca-feliz-em-Brasília, contagiante fã de Élton Medeiros, que é das mais importantes musicistas de lá, por tudo que ela representa na Cidade.
Sabe quando uma pessoa ama e CULTIVA a música com tanta alegria que até transborda? Pois é... Quem já teve o privilégio de romper madrugadas tocando ao lado dela sabe: Helena é mestra não só pelo talento que tem, mas também pelo carinho e respeito com que trata a música ao seu redor e, em especal, os sambas.
Quando eu tinha uns 15 ou 16 anos, nos tornamos amigos, pois frequentávamos as mesmas rodas musicais da Capital. Eu tocava percussão e, aos poucos, fui mostrando os meus primeiros sambas pra rapaziada de lá.
E ela me incentivava, dizendo:
"Esse moleque é enjoado pra fazer música!"
Isso foi quando eu estava começando a compor.
Tão no início que eu nem sabia como tocar no cavaquinho as minhas próprias músicas.
E pedi ajuda pra Helena, que tocava cavaco, violão e flauta, além de cantar e compor lindamente. Pedi numa cara de pau que me envergonha até hoje:
"Helena, posso ir um dia na sua casa você me ensina a tocar os meus sambas? É que eu tô indo pro Rio e queria levar uma fitinha com essas músicas gravadas pra mostrar lá".
Se fosse qualquer outra pessoa, desconversaria.
Mas ali estava a minha GENEROSA nova amiga e futura parceira, a quem passei a chamar de Madrinha, tempos depois. Ela me encorajou e respondeu:
"Sim, vai lá em casa segunda-feira que é um dia mais tranquilo e eu te ajudo nisso."
E na segunda-feira, no horário marcado - 20h - eu cheguei. Saí de lá às 5h da manhã, depois de aprender minhas músicas, aprender muito sobre amizade e generosidade, beber alguns uísques e ouvir, fascinado, o CD "João Nogueira e Paulo César Pinheiro" da série Parceria, disco que ela havia me recomendado.
Guardo esta noite no meu relicário de lembranças como uma das mais importantes e significativas para a minha vida. Sabe porquê? Ouçam a gravação abaixo. Vocês vão entender o valor que teve a ajuda da Helena para mim naquele contexto. Quem ajudaria um garoto novo cantando assim? Não sei não...
"Quarta-feira de Cinzas" (Leandro Fregonesi)
.
A amizade e a cumplicidade musical que nasceu entre mim e Helena Pinhero me inspira para muitas batalhas nessa carreira musical que escolhi pra mim.
Helena foi minha primeira incentivadora fora da minha família. Foi o primeiro olhar crítico que me aprovou. Foi o primeiro elogio que veio de alguém que não me conhecia.
Este incentivo está guardado aqui no peito e se manifesta forte sempre que é necessário.
Mas tem um momento em particular que é realmente mágico. Lembro dela e das coisas que ela me disse lá no comecinho embrionário da minha carreira, quando faço um samba novo e penso, na mesma hora:
"Esse a Helena vai gostar de ouvir!"
Encerro este texto por aqui, sinceramente, com lágrimas nos olhos de lembrar dessas histórias, com uma frase que também aprendi com ela. Quando algum músico faz algo muito bonito no instrumento, ela diz, com um sorrisão generoso:
"Obrigado, Fulano!"
.
Então, pra ela:
OBRIGADO, HELENA PINHEIRO!

Foto tirada em Brasília, após um show em que ela cantou comigo.
.
Aguardem! Vem aí o primeiro disco da Helena Pinheiro, com sua obra linda obra autoral, contendo, para minha alegria, as nossas "Parece Ontem" e "Quem Sabe".
Pois bem, a minha parceira e madrinha musical Helena Pinheiro resolveu a questão e fez uma bela música. Olha a "demo" aí:
MEDITERRÂNEA
(Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
Sais do Mar Egeu
Águas de Jasmim
Pedras de Turin
Flores de Madri
Luzes de Paris
Frutas do Irã
Cheiros de Avelã
Ouros, mirras, chás
Véus de muita cor
Ventos de Israel
Cravos de Istambul
Luas pelo céu
Áfricas do Sul
Sons de Gibraltar
Velas de Kabul
Só você e eu
E o mar
.
A propósito, eu e Helena somos amigos - e como me honra ser amigo dela! - há uns 15 anos e nossa parceria tem nos proporcionado muita coisa boa nesta estrada musical.
Eu gravei a nossa "Pra Quem é de Choro" no meu disco "Festa das Manhãs, com lindo arranjo de Mauro Diniz e o bandolim de Marcílio Lopes. Este choro foi uma primeira ideia de letra que ela havia me mandado e eu terminei com o que faltava da letra e com a melodia. Esta nossa música tem sido bastante tocada aqui no Rio na Rádio Roquete Pinto (94,1 FM) no programa "Choro, Chorinhos e Chorões", da apresentadora Clarice Azevedo.
PRA QUEM É DE CHORO
(Helena Pinheiro / Leandro Fregonesi)
Choro... Mas choro sem reclamar
Que é hora de aproveitar o som do choro
Lamento da madrugada, dedilhadinho
Música de calçada no cavaquinho
A emoção delicada faz acordar passarinhos
Choro... Mas choro de alegria
Vestida de fantasia a alma chora
Então se faz bailarina, bem de mansinho
Brilho de purpurina tem meu chorinho
E numa noite divina faz acordar passarinhos
Mão ligeira do mestre do choro
Que me ensinou a tocar
Faço um breque, uma pausa, um repique
Pra quem é de choro chorar
Me emociona ver essa moçada
Que hoje é tão aprendiz
Se encantando com o encanto do choro do meu país
.
Helena mora em Brasíla.
Um dia, ela estava pelo Rio e fomos juntos pra uma Roda de samba que estava sendo organizada pelo amigo Ciraninho, na Barra.
Conversamos muito sobre um monte de bobagens e naquela noite, por muitos motivos, o papo girou em torno das relações amorosas e sobre como elas podem ser surpreendentes em suas idas e vindas, em seus erros e acertos.
E como, muitas vezes, os casais se reencontram após um tempão separados para refazer a história interrompida.
Quando se reencontram, "parece ontem".
Muitas cervejas depois, e antes de eu perder a chave do carro (isso aconteceu antes da Lei Seca... hehehe), comecei a escrever uma letra sobre este assunto na toalha de papel da mesa do pagode.
Helena levou a letra com ela, para fazer um samba. Quando veio de novo ao Rio, o samba estava pronto.
PARECE ONTEM
(Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
PARECE ONTEM
TEMPO PAROU
E TE GUARDOU PRA MIM
E FOI ASSIM
QUE EU DESCOBRI
QUE O AMOR NÃO TEVE FIM
NÃO ME ESQUIVEI
NÃO TE ESQUECI
NÃO TE CONTEI O QUE EU VIVI
TAMBÉM CHOREI
E FUI FELIZ
FOI POR UM TRIZ
AMEI O AMOR QUE BEM ME QUIS
ME PREPAREI PRA TE ESPERAR
ME PERFUMEI, BANHO DE MAR
EU ARRANJEI UM BOM LUGAR
PRA GENTE SER FELIZ
VOCÊ MUDOU
MUDEI, ENFIM
VOCÊ VOLTOU
TAMBÉM VOLTEI
DE VOLTA AO CAIS
E AO MESMO MAR
AO TE ENCONTRAR
EU APORTEI
.
Nossa música mais bonita, porém, na minha opinião, é a "Quem Sabe".
Se não é a mais bonita, pelo menos foi a que mais gostei de compor com a Helena.
Eu estava em Brasília, numa das muitas vezes em que fui fazer show lá e nós marcamos um chopp no Carpe Diem, um dos bons bares da Capital.
No meio do papo, estávamos falando de que? De relacionamentos.
E lancei:
"Vamos fazer uma música HOJE? A gente não sai deste bar enquanto não fizer uma música. Fechado?"
Ela topou. E começamos a esboçar, no guardanapo, a música:
"Havia sim... Saudade".
E fomos costurando os trechos da canção que nascia.
Era assim: eu fazia um trechinho, ela fazia outro trechinho e parávamos.
Bebíamos, conversávamos e a música ficava ali na mesa esperando a hora de ficar pronta de vez.
Mas deu uma travada na inspiração e a gente meio que se convenceu de que seria melhor terminar outro dia.
Até que eu fui ao banheiro descarregar os chopps e voltei, já sem saber meu nome, pelo meio do bar cantando:
"E eu ri de mim... Verdaaaade!"
Helena gargalhava aos tubos.
Isso desopilou a nossa inspiração e a música nasceu ali mesmo, com os graçons já levantando as cadeiras e sugerindo:
"Vocês não gostariam de fechar a conta?".
Nós: "Calma, amigo, a música está quase pronta!"
Garçom: "Hã?! Essa música aí vocês estão FAZENDO agora?"
Nós: "Sim, estamos compondo..."
Garçom: "Sério? Está ficando bonita!"
Nós: "Obrigado! Estamos terminando. Duas saideiras e a conta. Pode ser?"
QUEM SABE
(Helena Pinheiro / Leandro Fregonesi)
Havia sim saudade
Não por você, por medo
Mas fui assim sem pressa
E eu não guardei segredo
Quem viu meu silêncio
Vazar dos olhos
Pensou que eu pudesse
Evitar o tempo
Pensou que eu pudesse
Estancar na alma
A febre de não ter
Amor por perto
E eu ri de mim... Verdade
Ah, se eu pudesse falar de tudo
Dos erros, quem sabe, de acertos
Quem sabe, de nós... Ah...
Quem sabe de nós?
Quem sabe...
.
Curiosidade:
Como muitos sabem, morei um tempo em Brasília, onde conheci Helena Pinheiro, uma carioca-feliz-em-Brasília, contagiante fã de Élton Medeiros, que é das mais importantes musicistas de lá, por tudo que ela representa na Cidade.
Sabe quando uma pessoa ama e CULTIVA a música com tanta alegria que até transborda? Pois é... Quem já teve o privilégio de romper madrugadas tocando ao lado dela sabe: Helena é mestra não só pelo talento que tem, mas também pelo carinho e respeito com que trata a música ao seu redor e, em especal, os sambas.
Quando eu tinha uns 15 ou 16 anos, nos tornamos amigos, pois frequentávamos as mesmas rodas musicais da Capital. Eu tocava percussão e, aos poucos, fui mostrando os meus primeiros sambas pra rapaziada de lá.
E ela me incentivava, dizendo:
"Esse moleque é enjoado pra fazer música!"
Isso foi quando eu estava começando a compor.
Tão no início que eu nem sabia como tocar no cavaquinho as minhas próprias músicas.
E pedi ajuda pra Helena, que tocava cavaco, violão e flauta, além de cantar e compor lindamente. Pedi numa cara de pau que me envergonha até hoje:
"Helena, posso ir um dia na sua casa você me ensina a tocar os meus sambas? É que eu tô indo pro Rio e queria levar uma fitinha com essas músicas gravadas pra mostrar lá".
Se fosse qualquer outra pessoa, desconversaria.
Mas ali estava a minha GENEROSA nova amiga e futura parceira, a quem passei a chamar de Madrinha, tempos depois. Ela me encorajou e respondeu:
"Sim, vai lá em casa segunda-feira que é um dia mais tranquilo e eu te ajudo nisso."
E na segunda-feira, no horário marcado - 20h - eu cheguei. Saí de lá às 5h da manhã, depois de aprender minhas músicas, aprender muito sobre amizade e generosidade, beber alguns uísques e ouvir, fascinado, o CD "João Nogueira e Paulo César Pinheiro" da série Parceria, disco que ela havia me recomendado.
Guardo esta noite no meu relicário de lembranças como uma das mais importantes e significativas para a minha vida. Sabe porquê? Ouçam a gravação abaixo. Vocês vão entender o valor que teve a ajuda da Helena para mim naquele contexto. Quem ajudaria um garoto novo cantando assim? Não sei não...
"Quarta-feira de Cinzas" (Leandro Fregonesi)
.
A amizade e a cumplicidade musical que nasceu entre mim e Helena Pinhero me inspira para muitas batalhas nessa carreira musical que escolhi pra mim.
Helena foi minha primeira incentivadora fora da minha família. Foi o primeiro olhar crítico que me aprovou. Foi o primeiro elogio que veio de alguém que não me conhecia.
Este incentivo está guardado aqui no peito e se manifesta forte sempre que é necessário.
Mas tem um momento em particular que é realmente mágico. Lembro dela e das coisas que ela me disse lá no comecinho embrionário da minha carreira, quando faço um samba novo e penso, na mesma hora:
"Esse a Helena vai gostar de ouvir!"
Encerro este texto por aqui, sinceramente, com lágrimas nos olhos de lembrar dessas histórias, com uma frase que também aprendi com ela. Quando algum músico faz algo muito bonito no instrumento, ela diz, com um sorrisão generoso:
"Obrigado, Fulano!"
.
Então, pra ela:
OBRIGADO, HELENA PINHEIRO!
Foto tirada em Brasília, após um show em que ela cantou comigo.
.
Aguardem! Vem aí o primeiro disco da Helena Pinheiro, com sua obra linda obra autoral, contendo, para minha alegria, as nossas "Parece Ontem" e "Quem Sabe".
terça-feira, 20 de julho de 2010
Dois Mestres. Três gerações.
Estive com Moacyr Luz em Campinas, no Tonico’s Boteco, o principal ponto de referência do samba por lá. Esta foto, inclusive, foi tirada no dia, em 2002.
Assisti ao seu show e depois conversamos um pouco. Nada muito sério.
O mesmo encontro se repetiu em 2005, no mesmo bar.
Dessa vez, porém, acabamos retornando ao Rio juntos e foram 6 horas de viagem. Aí sim, muita conversa, muitas histórias e eu fui conhecendo melhor o artista que muitas vezes eu vi tocar no Bip-Bip, aqui em Copacabana, de quem eu já tinha alguns CDs, mas pouco conhecia de sua trajetória.
Estava adentrando o maravilhoso mundo musical de um dos mais respeitados sambistas da atualidade.
.
Curiosidade:
Ainda em Campinas, na hora do almoço, na casa do Paulo Henrique (dono do Tonico's Boteco), deu tempo do Moacyr empunhar seu violão para uma mini tocata, de meia hora, no máximo.
Ele cantou músicas suas e pediu, sem cerimônias:
"Fregonesi, canta um samba aí."
E eu tive a honra de cantar “O Mundo é um Moinho” (Cartola) ao som do violão do Moa, num momento em que ele estava muitíssimo inspirado, solando lindamente, além dos acordes da canção.
Estávamos entre amigos. E sem percussões.
Daí, caiu a minha ficha: o violão tocado por Moacyr Luz é mesmo mágico.
.
Voltando (pro Rio).
.
A viagem terminou, nos despedimos e eu disse: “Moacyr, estou em vias de gravar um disco e gostaria de te mandar umas letras para você musicar, sem compromisso, SE você gostar.”
Ele foi meio reticente: “Tá, Fregonesi, manda sim. Eu ando meio enrolado com muitos shows e projetos, tem muitas letras do Aldir (Blanc), do Luiz Carlos (da Vila), do Paulinho (César Pinheiro), do Hermínio (Bello de Carvalho) que estão comigo há meses e eu ainda nem fiz nada. Mas manda sim...”
Mandei três.
Ele escolheu uma delas, “É Verdade”, e fez a melodia sem alterar nem uma vírgula da minha letra original. Coisa de Mestre.
Aqui está a gravação que entrou no meu disco “Festa das Manhãs”.
(O início com o Moacyr cantando na fita k-7 NÃO ESTÁ NO CD).
É VERDADE
(Moacyr Luz / Leandro Fregonesi)
É verdade
Você vai deixar saudade
No meu peito
Que é metade encantamento
Metade dor
Seu amor
Não passou de falsidade
Foi talvez contra a vontade
Bem ao gosto da ilusão
Você errou
Ao dizer que me queria
Tentação e covardia
Fui fantoche em tuas mãos
E agora que acabou sua magia
Acabou minha alegria
Com o fim da união
A cabeça te procura
Vai às tontas
Nesse imenso faz-de-conta
Tanta farsa a troco de emoção
Você partiu
Nem sei dizer pra onde
Se escondeu lá muito longe
Sem notícia, sem recado, sem saber
Que as batidas do meu peito
Que eram todas por você
Hoje batem sem saber porquê
.
Convidei MONARCO para dividir comigo esta música no meu CD e ele aceitou prontamente, com a generosidade que só quem é das antigas sabe exercer.
E o que falar sobre Monarco?
Qualquer texto meu será pequeno perto da sua estatura musical. Mas vou tentar.
Foto do celular, 2010.
Monarco é O CARA. É a Enciclopédia Viva do Samba.
Sabe tudo. Canta tudo. Lembra de cór dezenas de sambas que ninguém jamais se lembraria que existem, graças à sua ótima memória. Alguns desses sambas, acho que nem os próprios compositores guardaram registro, à época, posto que nunca foram gravados e muitos dos compositores mais antigos até já faleceram.
Monarco conheceu e conviveu com praticamente TODOS os personagens mais importantes do Samba. Conta histórias que deveriam ser mais ouvidas e valorizadas.
E faz uma coisa rara: divide com a gente, da nova geração, a sua experiência. E o faz de forma tão natural que, num simples bate papo, Monarco e Samba passam a ser uma coisa só.
Dedicou toda a sua vida à Portela. Aprendeu com Paulo e com Natal.
Conta que sofreu um bocado. De muitas maneiras.
E fica fácil perceber que venceu na vida pelo talento.
Tem, além do seu acervo autoral de grandes sucessos gravados por outros artistas, o maravilhoso legado de Intérprete, seja solo ou com a Velha Guarda da Portela, com seu timbre de voz imponente.
Monarco é o pássaro que vai na frente.
E, acima de tudo, é um homem de alma humilde, um artista sem chatices e sem aquela vaidade de se mostrar superior. Talentoso como poucos. Compositor hábil e popular.
Tive a sorte de já ter feito alguns shows com ele e posso afirmar:
Monarco não canta. Ele dá aula de Samba.
.
Quando saiu o meu disco "Festa das Manhãs" com a música "É verdade", o jornalista Paulo Márcio Vaz, do jornal O Fluminense, de Niterói, escreveu sobre mim, a partir do que ouviu no CD:
"O samba pode se gabar de ter um compositor que garante a qualidade do gênero por, pelo menos, mais uma geração."
.
Então, se é assim, em "É Verdade" temos: dois mestres e três gerações do mesmo samba.
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