Esse mês de maio promete ser fantástico: 6 shows por São Paulo e Brasília (cidades que adoro e onde tenho muitos amigos); meu CD "Festa das Manhãs" esgotado e indo para mais uma prensagem; cursos acontecendo em Brasília, Recife e Fortaleza; viagem de descanso e pausa para cuidar da vida em Jericoacoara e...
Este Blog, que nasceu pequeno e pelado, alcançou mais de 5.000 visitas!
Temos ou não motivos para comemorar? Quem vai comprar o gelo?
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Obrigado a todos que passam por aqui! Venham sempre, voltem sempre!
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Quem quiser me ver cantar feliz, é só escolher o dia:
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E para partilhar da minha alegria, divido com vocês uma música inédita, feita em abril deste ano, nascida sob o signo da PAZ, com a (c)alma na (c)alma...
Olha Como é tão sublime o querer De um amor que redime o viver E clareia meus passos no breu Me carrega nos braços pro céu
Afugenta os fantasmas da dor E revela o que o tempo escondeu Acalmando os medos que eu Sem querer, cultivei dentro em mim
Jóia Que estava no fundo do mar Que me fez me perder, mergulhar Só pra ver se era sonho ou o quê? Só pra ver se era alucinação Esse brilho que resplandeceu
Jóia Que estava no fundo do mar E me fez me jogar, me lançar Como fazem amantes plebeus Que viajam no amor das canções E confiam nas coisas de Deus
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Mudando de assunto:
FELIZ DIA DAS MÃES a todas as mamães e vovós deste mundo!
Que a vida lhes seja tão generosa quanto vocês sempre foram conosco!
Sabe aquilo que eu falei aqui de a letra "Mediterrânea" ter ficado sem melodia?
Pois bem, a minha parceira e madrinha musical Helena Pinheiro resolveu a questão e fez uma bela música. Olha a "demo" aí:
MEDITERRÂNEA (Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
Sais do Mar Egeu Águas de Jasmim Pedras de Turin Flores de Madri Luzes de Paris Frutas do Irã Cheiros de Avelã Ouros, mirras, chás
Véus de muita cor Ventos de Israel Cravos de Istambul Luas pelo céu Áfricas do Sul Sons de Gibraltar Velas de Kabul Só você e eu E o mar
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A propósito, eu e Helena somos amigos - e como me honra ser amigo dela! - há uns 15 anos e nossa parceria tem nos proporcionado muita coisa boa nesta estrada musical.
Eu gravei a nossa "Pra Quem é de Choro" no meu disco "Festa das Manhãs, com lindo arranjo de Mauro Diniz e o bandolim de Marcílio Lopes. Este choro foi uma primeira ideia de letra que ela havia me mandado e eu terminei com o que faltava da letra e com a melodia. Esta nossa música tem sido bastante tocada aqui no Rio na Rádio Roquete Pinto (94,1 FM) no programa "Choro, Chorinhos e Chorões", da apresentadora Clarice Azevedo.
PRA QUEM É DE CHORO (Helena Pinheiro / Leandro Fregonesi)
Choro... Mas choro sem reclamar Que é hora de aproveitar o som do choro Lamento da madrugada, dedilhadinho Música de calçada no cavaquinho A emoção delicada faz acordar passarinhos
Choro... Mas choro de alegria Vestida de fantasia a alma chora Então se faz bailarina, bem de mansinho Brilho de purpurina tem meu chorinho E numa noite divina faz acordar passarinhos
Mão ligeira do mestre do choro Que me ensinou a tocar Faço um breque, uma pausa, um repique Pra quem é de choro chorar Me emociona ver essa moçada Que hoje é tão aprendiz Se encantando com o encanto do choro do meu país
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Helena mora em Brasíla.
Um dia, ela estava pelo Rio e fomos juntos pra uma Roda de samba que estava sendo organizada pelo amigo Ciraninho, na Barra.
Conversamos muito sobre um monte de bobagens e naquela noite, por muitos motivos, o papo girou em torno das relações amorosas e sobre como elas podem ser surpreendentes em suas idas e vindas, em seus erros e acertos.
E como, muitas vezes, os casais se reencontram após um tempão separados para refazer a história interrompida.
Quando se reencontram, "parece ontem".
Muitas cervejas depois, e antes de eu perder a chave do carro (isso aconteceu antes da Lei Seca... hehehe), comecei a escrever uma letra sobre este assunto na toalha de papel da mesa do pagode.
Helena levou a letra com ela, para fazer um samba. Quando veio de novo ao Rio, o samba estava pronto.
PARECE ONTEM (Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
PARECE ONTEM TEMPO PAROU E TE GUARDOU PRA MIM
E FOI ASSIM QUE EU DESCOBRI QUE O AMOR NÃO TEVE FIM NÃO ME ESQUIVEI NÃO TE ESQUECI NÃO TE CONTEI O QUE EU VIVI
TAMBÉM CHOREI E FUI FELIZ FOI POR UM TRIZ AMEI O AMOR QUE BEM ME QUIS ME PREPAREI PRA TE ESPERAR ME PERFUMEI, BANHO DE MAR EU ARRANJEI UM BOM LUGAR PRA GENTE SER FELIZ VOCÊ MUDOU MUDEI, ENFIM VOCÊ VOLTOU TAMBÉM VOLTEI DE VOLTA AO CAIS E AO MESMO MAR AO TE ENCONTRAR EU APORTEI
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Nossa música mais bonita, porém, na minha opinião, é a "Quem Sabe".
Se não é a mais bonita, pelo menos foi a que mais gostei de compor com a Helena.
Eu estava em Brasília, numa das muitas vezes em que fui fazer show lá e nós marcamos um chopp no Carpe Diem, um dos bons bares da Capital.
No meio do papo, estávamos falando de que? De relacionamentos.
E lancei:
"Vamos fazer uma música HOJE? A gente não sai deste bar enquanto não fizer uma música. Fechado?"
Ela topou. E começamos a esboçar, no guardanapo, a música:
"Havia sim... Saudade".
E fomos costurando os trechos da canção que nascia.
Era assim: eu fazia um trechinho, ela fazia outro trechinho e parávamos.
Bebíamos, conversávamos e a música ficava ali na mesa esperando a hora de ficar pronta de vez.
Mas deu uma travada na inspiração e a gente meio que se convenceu de que seria melhor terminar outro dia.
Até que eu fui ao banheiro descarregar os chopps e voltei, já sem saber meu nome, pelo meio do bar cantando:
"E eu ri de mim... Verdaaaade!"
Helena gargalhava aos tubos.
Isso desopilou a nossa inspiração e a música nasceu ali mesmo, com os graçons já levantando as cadeiras e sugerindo:
"Vocês não gostariam de fechar a conta?".
Nós: "Calma, amigo, a música está quase pronta!"
Garçom: "Hã?! Essa música aí vocês estão FAZENDO agora?"
Nós: "Sim, estamos compondo..."
Garçom: "Sério? Está ficando bonita!"
Nós: "Obrigado! Estamos terminando. Duas saideiras e a conta. Pode ser?"
QUEM SABE (Helena Pinheiro / Leandro Fregonesi)
Havia sim saudade Não por você, por medo Mas fui assim sem pressa E eu não guardei segredo
Quem viu meu silêncio Vazar dos olhos Pensou que eu pudesse Evitar o tempo Pensou que eu pudesse Estancar na alma A febre de não ter Amor por perto
E eu ri de mim... Verdade Ah, se eu pudesse falar de tudo Dos erros, quem sabe, de acertos Quem sabe, de nós... Ah... Quem sabe de nós? Quem sabe...
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Curiosidade:
Como muitos sabem, morei um tempo em Brasília, onde conheci Helena Pinheiro, uma carioca-feliz-em-Brasília, contagiante fã de Élton Medeiros, que é das mais importantes musicistas de lá, por tudo que ela representa na Cidade.
Sabe quando uma pessoa ama e CULTIVA a música com tanta alegria que até transborda? Pois é... Quem já teve o privilégio de romper madrugadas tocando ao lado dela sabe: Helena é mestra não só pelo talento que tem, mas também pelo carinho e respeito com que trata a música ao seu redor e, em especal, os sambas.
Quando eu tinha uns 15 ou 16 anos, nos tornamos amigos, pois frequentávamos as mesmas rodas musicais da Capital. Eu tocava percussão e, aos poucos, fui mostrando os meus primeiros sambas pra rapaziada de lá.
E ela me incentivava, dizendo:
"Esse moleque é enjoado pra fazer música!"
Isso foi quando eu estava começando a compor.
Tão no início que eu nem sabia como tocar no cavaquinho as minhas próprias músicas.
E pedi ajuda pra Helena, que tocava cavaco, violão e flauta, além de cantar e compor lindamente. Pedi numa cara de pau que me envergonha até hoje:
"Helena, posso ir um dia na sua casa você me ensina a tocar os meus sambas? É que eu tô indo pro Rio e queria levar uma fitinha com essas músicas gravadas pra mostrar lá".
Se fosse qualquer outra pessoa, desconversaria.
Mas ali estava a minha GENEROSA nova amiga e futura parceira, a quem passei a chamar de Madrinha, tempos depois. Ela me encorajou e respondeu:
"Sim, vai lá em casa segunda-feira que é um dia mais tranquilo e eu te ajudo nisso."
E na segunda-feira, no horário marcado - 20h - eu cheguei. Saí de lá às 5h da manhã, depois de aprender minhas músicas, aprender muito sobre amizade e generosidade, beber alguns uísques e ouvir, fascinado, o CD "João Nogueira e Paulo César Pinheiro" da série Parceria, disco que ela havia me recomendado.
Guardo esta noite no meu relicário de lembranças como uma das mais importantes e significativas para a minha vida. Sabe porquê? Ouçam a gravação abaixo. Vocês vão entender o valor que teve a ajuda da Helena para mim naquele contexto. Quem ajudaria um garoto novo cantando assim? Não sei não...
"Quarta-feira de Cinzas" (Leandro Fregonesi)
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A amizade e a cumplicidade musical que nasceu entre mim e Helena Pinhero me inspira para muitas batalhas nessa carreira musical que escolhi pra mim.
Helena foi minha primeira incentivadora fora da minha família. Foi o primeiro olhar crítico que me aprovou. Foi o primeiro elogio que veio de alguém que não me conhecia.
Este incentivo está guardado aqui no peito e se manifesta forte sempre que é necessário.
Mas tem um momento em particular que é realmente mágico. Lembro dela e das coisas que ela me disse lá no comecinho embrionário da minha carreira, quando faço um samba novo e penso, na mesma hora:
"Esse a Helena vai gostar de ouvir!"
Encerro este texto por aqui, sinceramente, com lágrimas nos olhos de lembrar dessas histórias, com uma frase que também aprendi com ela. Quando algum músico faz algo muito bonito no instrumento, ela diz, com um sorrisão generoso:
"Obrigado, Fulano!"
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Então, pra ela:
OBRIGADO, HELENA PINHEIRO!
Foto tirada em Brasília, após um show em que ela cantou comigo.
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Aguardem! Vem aí o primeiro disco da Helena Pinheiro, com sua obra linda obra autoral, contendo, para minha alegria, as nossas "Parece Ontem" e "Quem Sabe".