quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Clareou - Semente deu frutos...

Estou com saudade da nossa “Roda de Compositores” que aconteceu este ano durante 4 meses, todas as quintas-feiras, no Semente.

Na roda, só cantávamos sambas autorais nossos e dos parceiros que iam lá dar uma moral e uma canja conosco. Era muito bom.

Quem sabe um dia o projeto volte, né?

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Para relembrar, vai o flyer que utilizamos e que, claro, é apenas relíquia, pois a roda não existe mais.



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Uma das idéias da roda era juntar compositores para formar parcerias.

Eis um samba-maxixe que nasceu lá e lá mesmo foi cantado algumas vezes.



CLAREOU
(Leandro Fregonesi / Wandinho Ribeiro / Rafael dos Santos)

Clareou
E o amor dessa vez valeu
Protegeu esse meu coração
Preservou a paixão que nasceu
E deu asas a imaginação
Acendeu
A fogueira da emoção
Desde então, foi mais forte que eu
Quem viveu uma vida de ilusão
Hoje tem que dar graças a Deus

E assim
Coração descansou enfim
Cessou a procura do bem maior
De cór aprendi o que é ser feliz
No meu peito fechou cicatriz
Já não há mais saudade

Vou me trancar
A sete chaves no teu coração
E nunca mais olhar
Nos olhos da solidão
Oferecer bem mais
Do que julguei capaz
Deixar a flor da paz
Nascer no nosso chão

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Valeu, Wandinho! Valeu, Rafinha! Meus parceiros queridos neste samba...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dia Nacional do Samba

Em homenagem a este dia bonito e a todos aqueles que fazem Samba, deixo aqui uma das minhas filhotas mais recentes...




TUDO QUE A MINHA CANETA ESCREVE
(Leandro Fregonesi)

Ai...
Meu samba que não cai no chão por nada
Chegou e levantou a batucada
Meu verso carregado de axé
É...
Tem força, tem magia, tem beleza
E até naquelas horas de tristeza
Meu samba é o que me faz ficar de pé

E a roda se inflama
No bambolear das cadeiras
Daquela cabrocha que é muito maneira
Nossa brincadeira fica bem melhor

Bem melhor quando eu canto Salgueiro, Portela e Mangueira
Um verso que vem lá da Tamarineira
Me lembra o Quilombo do mestre Candeia

Clareia a lua no céu
Nas cordas de um gênio chamado Noel
Sinhô, Pixinguinha, Ismael e Chiquinha Gonzaga
Nogueira, Pinheiro, Dona Ivone Lara
São bambas pra quem eu tiro o meu chapéu

Com Zeca, Martinho, Guineto e Beth Carvalho
A Cruz do Arlindinho marcou meu baralho
Com Sombra, Sombrinha, Aragão, Neoci e Leci

Um verso do Deni ensina
A respeitar a Jovelina
Jesus, Clementina é a voz que no céu faz um lume
Na constelação que ainda tem Clara Nunes
Geraldo Pereira, Cartola e Camunga

Teresa... Cristina Buarque
Nei Lopes, Wilson Moreira e o saudoso Alfaiate
No bate-rebate dos versos chegou Renatinho
Com Xande, Com China, com Gabrielzinho
Caciques que são os grandes partideiros

Wanderley, Rufino, Toninho Geraes
Roque, Sanfillipo e Moacyr Luz
Seu Jorge, Ana Costa, Rogê, Gabriel, Mart’Nália
Quinteto no samba e o fogo se espalha
No mundo inteiro o batuque reluz

O meu coração quer ouvir Jamelão e Roberto Ribeiro
Peguei meu pandeiro e toquei um Tantinho do velho Aniceto
Então foi chegando por perto uma rapaziada
Com a mesma receita lá da Velha Guarda
E um monte de flecha certeira no arco

Diogo, Cirano, Rafinha, João e Baiaco
Pedrinho, Moyseis, Wandinho, DiCáprio
Mingo, Inácio, Chacrinha, Café e Thybau
Tudo isso é Revelação do Fundo de Quintal
E um encontro no meio do ano vira um carnaval

Monarco é o capitão do barco que nos ensinou
Que um samba valente também é um samba de amor
Então meu eterno respeito a Buarque de Holanda
No meu coração é o samba que manda
Sem raça, sem credo, sem essa de cor

Francis, Vinicius, Dolores, Jobins e Caymmis
Não posso jamais cometer esse crime e deixar de citar
Luiz Carlos da Vila
E a vida vai dando seu jeito e firmando a corrente
Na terra e no céu tem um monte de gente
Que só fez do samba o seu ganha pão

O samba não é o meu Dom como é pro Das Neves
Mas tudo que a minha caneta escreve
Eu garanto que vem é do meu coração

Eu quase esqueci, mas do bolso tirei uma cola
Pra agradecer Paulinho da Viola,
Guilherme de Brito, Medeiros, Marçal, que emoção!

O samba não é o meu Dom como é pro Das Neves
Mas tudo que a minha caneta escreve
Eu garanto que vem é do meu coração

E tem mais um monte de gente que fez o seu nome
No samba, Elizeth, Elis e Alcione
Mostraram que a voz é que faz a canção

O samba não é o meu Dom como é pro Das Neves
Mas tudo que a minha caneta escreve
Eu garanto que vem é do meu coração

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Esse samba foi feito, e talvez não por mera coincidência, no dia do falecimento do Deni de Lima, numa porrada só, da forma como ele versava...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

8 ARTISTAS, ÀS 7 EM PONTO


No próximo dia 9 de novembro, o Projeto 7 em Ponto reunirá, numa mesma noite, 8 artistas que estão no atual "Panorama da Lapa", tendo a curadoria de Augusto Martins.

Pra quem não sabe, o Projeto 7 EM PONTO é uma herança deixada pelo antigo projeto 6 E MEIA e acontece todas as terças-feiras. A ideia é muito bacana, pois dá pra quem trabalha no Centro do Rio ir direto, após o expediente, ouvir o melhor da música brasileira (e claro, do samba, nesse dia especial).

Participarei deste show, juntamente com:

. Eduardo Gallotti
. Simone Lial
. Janaína Moreno
. João Sabiá
. Joana Duah
. João Martins
. Elisa Addor

E todos estaremos muito bem acompanhados pelo grupo MULATO VELHO.

Os preços são populares e o espetáculo acontecerá no belíssimo Teatro Carlos Gomes.

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Vanessa Alves está fazendo a cenografia.

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O repertório está repleto de surpresas. Vamos cantar o que há de melhor no bairro mais boêmio do Rio de Janeiro, grandes clássicos e algumas autorais.

E o Samba, o rei do terreiro, será reverenciado neste encontro inédito, numa noite que promete entrar para a história do Teatro Carlos Gomes, da Lapa e da nova música brasileira.

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Vai perder?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

CANTA, PORTELA! A FINAL...

CONVITE GERAL!

Nessa sexta-feira, dia 15 de outubro, às 23h, acontece a FINAL da escolha do Samba-enredo da Portela para o carnaval de 2011.

Nós estaremos lá, a parceria completa, com um samba que nos enche de orgulho por estar passando tão bem na quadra, com todos os segmentos da Escola cantando.

Ouça a gravação:



Os autores: Ciraninho, João Martins, Diogo Nogueira, eu e Rafael dos Santos.

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Veja como está sendo AO VIVO, na voz do nosso puxador Luizinho Andanças:



Essa passada foi SEM a Bateria Estandarte de Ouro do Mestre Nilo Sérgio!

Quer ver como fica COM a Bateria? É só aparecer por lá.

Anote o endereço: Rua Clara Nunes, 81 - Oswaldo Cruz.

Contamos com a presença de todos os nossos amigos, torcedores e, principalmente de todos aqueles que simplesmente gostam de cantar o nosso samba.

Preparem o fígado, o coração e os pulmões...

Até!

Axé!

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A Letra:

PORTELA 2011 - Samba concorrente
Compositores: Diogo Nogueira, Ciraninho, Rafael dos Santos,
João Martins e Leandro Fregonesi
Intérpretes: Luizinho Andanças

ESTRELAS VÃO ME GUIAR
POR ÁGUAS QUE GUARDAM SEGREDOS
SINGRANDO O AZUL INFINITO
O HOMEM SE LANÇA E VENCE O MEDO
DESAFIANDO A FÚRIA DO MAR
RAIOS, TROVÕES ESCONDENDO O LUAR
SERES DA MITOLOGIA, LENDAS, MISTÉRIOS, MAGIA...
E SOB A LUZ DE ALEXANDRIA
EU VI ANTIGAS CIVILIZAÇÕES, EMBARCAÇÕES DO ORIENTE
NAS ÍNDIAS ME ENCANTEI, POR SEUS CAMINHOS NAVEGUEI

O CÉU E O MAR VÃO SE ENCONTRAR
UM NOVO MUNDO REVELAR
RIQUEZAS E BELEZAS
UM PARAÍSO A EXPLORAR

MAREJOU O CORAÇÃO DO NEGRO QUE FICOU
E VIU PARTIR O SEU IRMÃO DE COR
NA CARAVELA DO INVASOR
NAS MARÉS, O VENTO FORTE DA AMBIÇÃO
LEVOU CORSÁRIOS E PIRATAS
A COBIÇAR TESOUROS DESSE CHÃO
E LÁ VAI MINHA JANGADA ENFRENTANDO A MADRUGADA
PELO GIGANTE BRASIL
DE NATUREZA ABENÇOADA
TERRA ADORADA, DE ENCANTOS MIL!
E NESSE RELICÁRIO... NO PORTO CENTENÁRIO...
A ÁGUIA TRANSBORDA EMOÇÃO, DESAGUA A INSPIRAÇÃO
E AS SETE ARTES ETERNIZAM
O LINDO AZUL DO NOSSO PAVILHÃO!

CANTA PORTELA
NO REINO DE IEMANJÁ!
VEM NO BALANÇO DAS ONDAS DO MAR
FAZ O MEU RIO SAMBAR!

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FALANDO POR MIM...

Não importa o que aconteça na final. Podemos não ganhar, da mesma forma como podemos ganhar e amanhecer o dia 16 de outubro cantando pelas ruas de Oswaldo Cruz e Madureira os versos:

"CANTA PORTELA
NO REINO DE IEMANJÁ..."

O que importa é que estamos FELIZES e satisfeitos por estarmos dando para a querida Portela, a Majestade do Samba, uma EXCELENTE opção de samba-enredo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

7 ANOS DE CARREIRA

Muita coisa boa já aconteceu até aqui e tenho certeza que muito mais coisa boa ainda virá.

Este show será especial...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Só aplausos?

Fui assistir ao filme “Uma Noite em 67”, que é um documentário sobre o Festival daquele ano e seus principais Artistas.

No meio do filme, me veio a pergunta que não quer calar: onde foram parar as vaias?

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Reparem:

Quem gostava, aplaudia. Com emoção.

Quem não gostava, vaiava. Com a emoção oposta.

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A possibilidade de ser vaiado fazia com que o Artista repensasse o que fazer diante do público.

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Mas as vaias ficaram no século passado, né?

Agora tudo é aplauso!

Qualquer um canta qualquer coisa e: clap, clap, clap!

Se a quantidade de palmas não for suficiente, o artista remenda:

"Quem gostou faz barulho aí, PÔ!"

E quem não gostou faz o que? Apenas silêncio?

PÔ! A vaia era o "barulho" de quem não gostou.

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"Aplauso x vaia" virou "barulho x silêncio"?

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Aplaudir tornou-se uma imposição social velada. É a única opção. É pseudo-elegante.

Mas aplaudir não era apenas UMA entre DUAS opções?

O aplauso não era para ser um apoteótico "sim" contrapondo-se ao desconcertante "não" da vaia?

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O "sim" sem o "não" não perde totalmente o seu sentido?

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Mas o entendimento moderno é o outro: quem aplaude é gente boa, tá feliz, bem resolvido e de bem com a vida.

Quem vaia tá amargurado, tá triste, deve estar fudido, com algum problema sério ou deve ter brigado em casa.

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Então, "aplauso x vaia" deixou de ser uma medida do desempenho do Artista e passou a ser uma medida da psicologia do ESPECTADOR.

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"Gente, vamos bater palma pro Fulano que acabou de cantar!"

Entenda-se: "Gente, vamos fingir que todo mundo gostou, né?"

Que solidariedade às avessas é essa? Ser elegante mentindo?

E quem não gostou da apresentação - geralmente imposta - do Fulano?

É obrigado a bater palma bem fraquinho, em sinal de desaprovação?

Como assim? Aplaudir para desaprovar?

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Alguém vai dizer: "O Fregonesi tá maluco. Quem foi que disse que pega mal vaiar?"

Não é que pega mal...

Mas esse mesmo alguém vai te perguntar:

"Está tudo bem com você? Você está vaiando?"

"Sim, comigo tá tudo ótimo! Quem não tá nada bem é aquele artista ali..."

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E ninguém vai deixar claro pro artista que ele mandou mal?

Tadinho.

Vai mandar mal a vida toda, jurando que mandou bem?

Não seria melhor ter vaiado pra depois o cara melhorar e MERECER um caloroso e justo aplauso?

Muitos responderão: "Não! Vamos dizer DEPOIS, com calma, em particular pro cara que ele mandou mal..."

Mas ele NUNCA vai entender que mandou mal se, na verdade, todo mundo "aplaudiu pra caramba".

E talvez ele pense que você só sabe é reclamar de "tudo". E você vai ficar com cara de otário e fama de chato, mesmo que esteja coberto de razão.

Porque só quem aplaudiu é bacana.

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“Vaias x aplausos” eram as dicas no “Jogo da Vida” do Artista.

APLAUSOS: Avance 5 casas. Você mandou bem.

VAIAS: Volte 10 casas e tente novamente. Você mandou mal.

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Dizem que os Artistas da "Época dos Festivais" eram melhores que os atuais.

Discordo 100%.

Os Artistas de agora são tão bons quanto.

Mas concordo que na "Época das VAIAS" os Caras ficavam mais criteriosos para não passarem vergonha.

Portanto, não ERAM melhores. TORNAVAM-SE melhores.

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Conclusão:

Atualmente, com esse monte de aplauso sobrando por aí, nós, Artistas, temos que reafirmar a nossa música e o nosso ponto-de-vista artístico APESAR DOS APLAUSOS que sempre recebemos.

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Momento cultural:

No citado Festival de 67, a classificação final foi:

1º- Ponteio (Edu Lobo / Capinam)
2º- Domingo no Parque (Gilberto Gil)
3º- Roda Viva (Chico Buarque)
4º- Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
5º- Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná)

Este 5º lugar foi um SAMBA cantado por Roberto Carlos!

Veja (a partir do minuto 3:40) as vaias e os aplausos que ele recebeu:



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Conclusão 2:

Grandes Artistas são feitos de vaias e aplausos.