Estou com saudade da nossa “Roda de Compositores” que aconteceu este ano durante 4 meses, todas as quintas-feiras, no Semente.
Na roda, só cantávamos sambas autorais nossos e dos parceiros que iam lá dar uma moral e uma canja conosco. Era muito bom.
Quem sabe um dia o projeto volte, né?
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Para relembrar, vai o flyer que utilizamos e que, claro, é apenas relíquia, pois a roda não existe mais.
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Uma das idéias da roda era juntar compositores para formar parcerias.
Eis um samba-maxixe que nasceu lá e lá mesmo foi cantado algumas vezes.
CLAREOU (Leandro Fregonesi / Wandinho Ribeiro / Rafael dos Santos)
Clareou E o amor dessa vez valeu Protegeu esse meu coração Preservou a paixão que nasceu E deu asas a imaginação Acendeu A fogueira da emoção Desde então, foi mais forte que eu Quem viveu uma vida de ilusão Hoje tem que dar graças a Deus
E assim Coração descansou enfim Cessou a procura do bem maior De cór aprendi o que é ser feliz No meu peito fechou cicatriz Já não há mais saudade
Vou me trancar A sete chaves no teu coração E nunca mais olhar Nos olhos da solidão Oferecer bem mais Do que julguei capaz Deixar a flor da paz Nascer no nosso chão
Em homenagem a este dia bonito e a todos aqueles que fazem Samba, deixo aqui uma das minhas filhotas mais recentes...
TUDO QUE A MINHA CANETA ESCREVE (Leandro Fregonesi)
Ai... Meu samba que não cai no chão por nada Chegou e levantou a batucada Meu verso carregado de axé É... Tem força, tem magia, tem beleza E até naquelas horas de tristeza Meu samba é o que me faz ficar de pé
E a roda se inflama No bambolear das cadeiras Daquela cabrocha que é muito maneira Nossa brincadeira fica bem melhor
Bem melhor quando eu canto Salgueiro, Portela e Mangueira Um verso que vem lá da Tamarineira Me lembra o Quilombo do mestre Candeia
Clareia a lua no céu Nas cordas de um gênio chamado Noel Sinhô, Pixinguinha, Ismael e Chiquinha Gonzaga Nogueira, Pinheiro, Dona Ivone Lara São bambas pra quem eu tiro o meu chapéu
Com Zeca, Martinho, Guineto e Beth Carvalho A Cruz do Arlindinho marcou meu baralho Com Sombra, Sombrinha, Aragão, Neoci e Leci
Um verso do Deni ensina A respeitar a Jovelina Jesus, Clementina é a voz que no céu faz um lume Na constelação que ainda tem Clara Nunes Geraldo Pereira, Cartola e Camunga
Teresa... Cristina Buarque Nei Lopes, Wilson Moreira e o saudoso Alfaiate No bate-rebate dos versos chegou Renatinho Com Xande, Com China, com Gabrielzinho Caciques que são os grandes partideiros
Wanderley, Rufino, Toninho Geraes Roque, Sanfillipo e Moacyr Luz Seu Jorge, Ana Costa, Rogê, Gabriel, Mart’Nália Quinteto no samba e o fogo se espalha No mundo inteiro o batuque reluz
O meu coração quer ouvir Jamelão e Roberto Ribeiro Peguei meu pandeiro e toquei um Tantinho do velho Aniceto Então foi chegando por perto uma rapaziada Com a mesma receita lá da Velha Guarda E um monte de flecha certeira no arco
Diogo, Cirano, Rafinha, João e Baiaco Pedrinho, Moyseis, Wandinho, DiCáprio Mingo, Inácio, Chacrinha, Café e Thybau Tudo isso é Revelação do Fundo de Quintal E um encontro no meio do ano vira um carnaval
Monarco é o capitão do barco que nos ensinou Que um samba valente também é um samba de amor Então meu eterno respeito a Buarque de Holanda No meu coração é o samba que manda Sem raça, sem credo, sem essa de cor
Francis, Vinicius, Dolores, Jobins e Caymmis Não posso jamais cometer esse crime e deixar de citar Luiz Carlos da Vila E a vida vai dando seu jeito e firmando a corrente Na terra e no céu tem um monte de gente Que só fez do samba o seu ganha pão
O samba não é o meu Dom como é pro Das Neves Mas tudo que a minha caneta escreve Eu garanto que vem é do meu coração
Eu quase esqueci, mas do bolso tirei uma cola Pra agradecer Paulinho da Viola, Guilherme de Brito, Medeiros, Marçal, que emoção!
O samba não é o meu Dom como é pro Das Neves Mas tudo que a minha caneta escreve Eu garanto que vem é do meu coração
E tem mais um monte de gente que fez o seu nome No samba, Elizeth, Elis e Alcione Mostraram que a voz é que faz a canção
O samba não é o meu Dom como é pro Das Neves Mas tudo que a minha caneta escreve Eu garanto que vem é do meu coração
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Esse samba foi feito, e talvez não por mera coincidência, no dia do falecimento do Deni de Lima, numa porrada só, da forma como ele versava...
No próximo dia 9 de novembro, o Projeto 7 em Ponto reunirá, numa mesma noite, 8 artistas que estão no atual "Panorama da Lapa", tendo a curadoria de Augusto Martins.
Pra quem não sabe, o Projeto 7 EM PONTO é uma herança deixada pelo antigo projeto 6 E MEIA e acontece todas as terças-feiras. A ideia é muito bacana, pois dá pra quem trabalha no Centro do Rio ir direto, após o expediente, ouvir o melhor da música brasileira (e claro, do samba, nesse dia especial).
E todos estaremos muito bem acompanhados pelo grupo MULATO VELHO.
Os preços são populares e o espetáculo acontecerá no belíssimo Teatro Carlos Gomes.
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Vanessa Alves está fazendo a cenografia.
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O repertório está repleto de surpresas. Vamos cantar o que há de melhor no bairro mais boêmio do Rio de Janeiro, grandes clássicos e algumas autorais.
E o Samba, o rei do terreiro, será reverenciado neste encontro inédito, numa noite que promete entrar para a história do Teatro Carlos Gomes, da Lapa e da nova música brasileira.
Nessa sexta-feira, dia 15 de outubro, às 23h, acontece a FINAL da escolha do Samba-enredo da Portela para o carnaval de 2011.
Nós estaremos lá, a parceria completa, com um samba que nos enche de orgulho por estar passando tão bem na quadra, com todos os segmentos da Escola cantando.
Ouça a gravação:
Os autores: Ciraninho, João Martins, Diogo Nogueira, eu e Rafael dos Santos.
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Veja como está sendo AO VIVO, na voz do nosso puxador Luizinho Andanças:
Essa passada foi SEM a Bateria Estandarte de Ouro do Mestre Nilo Sérgio!
Quer ver como fica COM a Bateria? É só aparecer por lá.
Anote o endereço: Rua Clara Nunes, 81 - Oswaldo Cruz.
Contamos com a presença de todos os nossos amigos, torcedores e, principalmente de todos aqueles que simplesmente gostam de cantar o nosso samba.
Preparem o fígado, o coração e os pulmões...
Até!
Axé!
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A Letra:
PORTELA 2011 - Samba concorrente Compositores: Diogo Nogueira, Ciraninho, Rafael dos Santos, João Martins e Leandro Fregonesi Intérpretes: Luizinho Andanças
ESTRELAS VÃO ME GUIAR POR ÁGUAS QUE GUARDAM SEGREDOS SINGRANDO O AZUL INFINITO O HOMEM SE LANÇA E VENCE O MEDO DESAFIANDO A FÚRIA DO MAR RAIOS, TROVÕES ESCONDENDO O LUAR SERES DA MITOLOGIA, LENDAS, MISTÉRIOS, MAGIA... E SOB A LUZ DE ALEXANDRIA EU VI ANTIGAS CIVILIZAÇÕES, EMBARCAÇÕES DO ORIENTE NAS ÍNDIAS ME ENCANTEI, POR SEUS CAMINHOS NAVEGUEI
O CÉU E O MAR VÃO SE ENCONTRAR UM NOVO MUNDO REVELAR RIQUEZAS E BELEZAS UM PARAÍSO A EXPLORAR
MAREJOU O CORAÇÃO DO NEGRO QUE FICOU E VIU PARTIR O SEU IRMÃO DE COR NA CARAVELA DO INVASOR NAS MARÉS, O VENTO FORTE DA AMBIÇÃO LEVOU CORSÁRIOS E PIRATAS A COBIÇAR TESOUROS DESSE CHÃO E LÁ VAI MINHA JANGADA ENFRENTANDO A MADRUGADA PELO GIGANTE BRASIL DE NATUREZA ABENÇOADA TERRA ADORADA, DE ENCANTOS MIL! E NESSE RELICÁRIO... NO PORTO CENTENÁRIO... A ÁGUIA TRANSBORDA EMOÇÃO, DESAGUA A INSPIRAÇÃO E AS SETE ARTES ETERNIZAM O LINDO AZUL DO NOSSO PAVILHÃO!
CANTA PORTELA NO REINO DE IEMANJÁ! VEM NO BALANÇO DAS ONDAS DO MAR FAZ O MEU RIO SAMBAR!
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FALANDO POR MIM...
Não importa o que aconteça na final. Podemos não ganhar, da mesma forma como podemos ganhar e amanhecer o dia 16 de outubro cantando pelas ruas de Oswaldo Cruz e Madureira os versos:
"CANTA PORTELA NO REINO DE IEMANJÁ..."
O que importa é que estamos FELIZES e satisfeitos por estarmos dando para a querida Portela, a Majestade do Samba, uma EXCELENTE opção de samba-enredo.
Fui assistir ao filme “Uma Noite em 67”, que é um documentário sobre o Festival daquele ano e seus principais Artistas.
No meio do filme, me veio a pergunta que não quer calar: onde foram parar as vaias?
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Reparem:
Quem gostava, aplaudia. Com emoção.
Quem não gostava, vaiava. Com a emoção oposta.
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A possibilidade de ser vaiado fazia com que o Artista repensasse o que fazer diante do público.
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Mas as vaias ficaram no século passado, né?
Agora tudo é aplauso!
Qualquer um canta qualquer coisa e: clap, clap, clap!
Se a quantidade de palmas não for suficiente, o artista remenda:
"Quem gostou faz barulho aí, PÔ!"
E quem não gostou faz o que? Apenas silêncio?
PÔ! A vaia era o "barulho" de quem não gostou.
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"Aplauso x vaia" virou "barulho x silêncio"?
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Aplaudir tornou-se uma imposição social velada. É a única opção. É pseudo-elegante.
Mas aplaudir não era apenas UMA entre DUAS opções?
O aplauso não era para ser um apoteótico "sim" contrapondo-se ao desconcertante "não" da vaia?
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O "sim" sem o "não" não perde totalmente o seu sentido?
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Mas o entendimento moderno é o outro: quem aplaude é gente boa, tá feliz, bem resolvido e de bem com a vida.
Quem vaia tá amargurado, tá triste, deve estar fudido, com algum problema sério ou deve ter brigado em casa.
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Então, "aplauso x vaia" deixou de ser uma medida do desempenho do Artista e passou a ser uma medida da psicologia do ESPECTADOR.
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"Gente, vamos bater palma pro Fulano que acabou de cantar!"
Entenda-se: "Gente, vamos fingir que todo mundo gostou, né?"
Que solidariedade às avessas é essa? Ser elegante mentindo?
E quem não gostou da apresentação - geralmente imposta - do Fulano?
É obrigado a bater palma bem fraquinho, em sinal de desaprovação?
Como assim? Aplaudir para desaprovar?
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Alguém vai dizer: "O Fregonesi tá maluco. Quem foi que disse que pega mal vaiar?"
Não é que pega mal...
Mas esse mesmo alguém vai te perguntar:
"Está tudo bem com você? Você está vaiando?"
"Sim, comigo tá tudo ótimo! Quem não tá nada bem é aquele artista ali..."
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E ninguém vai deixar claro pro artista que ele mandou mal?
Tadinho.
Vai mandar mal a vida toda, jurando que mandou bem?
Não seria melhor ter vaiado pra depois o cara melhorar e MERECER um caloroso e justo aplauso?
Muitos responderão: "Não! Vamos dizer DEPOIS, com calma, em particular pro cara que ele mandou mal..."
Mas ele NUNCA vai entender que mandou mal se, na verdade, todo mundo "aplaudiu pra caramba".
E talvez ele pense que você só sabe é reclamar de "tudo". E você vai ficar com cara de otário e fama de chato, mesmo que esteja coberto de razão.
Porque só quem aplaudiu é bacana.
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“Vaias x aplausos” eram as dicas no “Jogo da Vida” do Artista.
APLAUSOS: Avance 5 casas. Você mandou bem.
VAIAS: Volte 10 casas e tente novamente. Você mandou mal.
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Dizem que os Artistas da "Época dos Festivais" eram melhores que os atuais.
Discordo 100%.
Os Artistas de agora são tão bons quanto.
Mas concordo que na "Época das VAIAS" os Caras ficavam mais criteriosos para não passarem vergonha.
Portanto, não ERAM melhores. TORNAVAM-SE melhores.
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Conclusão:
Atualmente, com esse monte de aplauso sobrando por aí, nós, Artistas, temos que reafirmar a nossa música e o nosso ponto-de-vista artístico APESAR DOS APLAUSOS que sempre recebemos.
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Momento cultural:
No citado Festival de 67, a classificação final foi:
1º- Ponteio (Edu Lobo / Capinam) 2º- Domingo no Parque (Gilberto Gil) 3º- Roda Viva (Chico Buarque) 4º- Alegria, Alegria (Caetano Veloso) 5º- Maria, Carnaval e Cinzas (Luiz Carlos Paraná)
Este 5º lugar foi um SAMBA cantado por Roberto Carlos!
Veja (a partir do minuto 3:40) as vaias e os aplausos que ele recebeu: