(dica: leia ouvindo o samba...)
Aconteceu no sábado passado. Meu humor me traiu e oscilou. O motivo? Poderia ter sido qualquer outro, mas foi a saudade.
Pra espairecer e ver se ela dava um tempo, fui pra Lapa, já quase meia noite, num voo solitário. Iniciava-se uma madrugada fria aqui no Rio, depois de um dia de sol. O vento pelas ruas não ajudava muito.
Pensei comigo: hoje seria o dia perfeito para ficar em casa, mas é mais perfeito ainda para ir pra rua e exercer minha saudade.
E lá fui eu de mão dada com ela.
A saudade conversando comigo, no pé do meu ouvido, me disse: Repare, todas as pessoas pra quem a gente olha ao redor parecem guardar outras saudades imensas também...
E foi estranho notar aquilo em cada rosto. Muitas saudades estavam maquiadas, muitas sorriam e falavam alto, outras bebiam, algumas se disfarçavam em roupas caras, mas todas elas estavam lá, dançando pelo salão.
A minha, estava comigo, colada no meu corpo, me vigiando, se esfregando em mim, me pedindo casa e cama.
Relutei até onde eu pude, até que me rendi a ela.
Fiz um samba.
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A primeira parte do samba nasceu na ida pra Lapa e, a segunda, na volta.
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Compor é um parto sem dor.
A bolsa d'água rompeu.
Nasceu.
Mais Um Samba de Saudade by leandrofregonesi
MAIS UM SAMBA DE SAUDADE
(Leandro Fregonesi)
O SOL CAIU NO MAR
O CÉU ESCURECEU
A NOITE SE DEITOU SOBRE A CIDADE
E SEM FAZER ALARDE O CORAÇÃO DOEU
NASCEU E FOI SEM DÓ NEM PIEDADE
MAIS UM SAMBA DE SAUDADE
FOI MAIS FORTE DO QUE EU
A LUZ DA RUA ACENDEU
A LUZ DA LUA SURGIU
O VENTO FRIO BATEU E FOI PERVERSO
FOI QUANDO O VERSO NASCEU
O UNIVERSO SE ABRIU
FOI QUANDO O PRANTO SUMIU
O CORAÇÃO DISPAROU
FOI QUANDO A MÃO BATUCOU
A BOLSA D’ÁGUA ROMPEU
NASCEU E FOI SEM DÓ NEM PIEDADE
MAIS UM SAMBA DE SAUDADE
FOI MAIS FORTE DO QUE EU