Senhoras e Senhores,
Como todos sabem, sou cantor e compositor.
Vou explicar: são duas coisas totalmente diferentes. Cantor interpreta. Compositor gera.
Meu trabalho é, portanto, gerar bens imateriais, coisas que sua mão não pode segurar, seus olhos não podem ver, mas que existem. A música é imaterial. É fruto de criação intelectual, de pensamento. Esse é o meu trabalho.
Tem gente que vive de produzir carros, sofás, bolas, pneus, travesseiros, sapatos e tudo o mais que é matéria. Mas tem gente, como eu, que vive de produzir músicas. Imatéria.
E, se um deve ser respeitado, o outro também o deve. Se um deve ser remunerado, o outro também o deve.
Só que as pessoas não se incomodam em pagar para ter um carro, mas se incomodam de pagar por música.
E é sobre isso que eu quero falar.
Como se faz para viver da imatéria num mundo onde é preciso comprar comida, água, roupas, pagar aluguel, condomínio, comprovar renda para poder existir frente aos muitos contratos que a vida nos obriga?
Resposta: criando maneiras de retribuir, em dinheiro, aqueles que vivem da sua criação intelectual imaterial.
Por esse motivo, não apenas a Constituição e as Leis Brasileiras, mas também a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU reforçam que todo ser humano, por uma questão de dignidade e sobrevivência, deve ser respeitado e REMUNERADO pelas criações artísticas e/ou científicas das quais seja o autor.
É um trabalho como outro qualquer.
Assim, existem, não só no Brasil, mas na imensa maioria dos países do mundo, Leis que tratam sobre o Direito do Autor. Repito, por uma questão de dignidade e remuneração.
É o único mecanismo Legal que o autor tem para se defender e exigir os seus direitos.
Essas Leis foram criadas na intenção de proteger e garantir que os direitos dos criadores intelectuais sejam respeitados.
Respeitar é pagar.
Exemplo : Eu respeito os supermercados porque os pago. Mas ai de mim se eu entrar num supermercado e não pagar pelo pão que matará a minha fome.
Exemplo 2: Ai de mim se um dia precisar de remédio e entrar numa farmácia sem pagar.
A vida em sociedade, no modelo capitalista, me obriga a respeitar certas regras de remuneração e pagamentos.
E, se é assim, a vida em sociedade, no modelo capitalista, tem que respeitar quem cria músicas, pois quem cria músicas também necessita ver o fruto do seu trabalho virar dinheiro.
Acontece que, não sei se vocês já perceberam, existem muitas pessoas que se recusam e discordam de terem que pagar pela música que ouvem, consomem, tocam e reproduzem.
Então, é simples: não quer pagar, direito seu. Só que não vai tocar, pois é direito meu.
A música, repito, é uma propriedade dos seus autores.
A sua casa é sua, a minha música é minha.
Para usar a sua casa, eu terei de pagar aluguel, certo?
Para você ter a minha música, você terá de pagar por ela, a não ser que EU resolva ofertá-la de graça para você. A gratuidade é uma decisão do artista e não do consumidor. Vale lembrar que todo autor tem o direito, garantido também pela Lei, de oferecer a sua música gratuitamente caso o queira. Mas, repito, a gratuidade é uma decisão que parte do autor.
Há autores que não vivem de música: são dentistas, engenheiros, empresários, carpinteiros, funcionários públicos. Esses podem oferecer a música de graça e muitos assim o fazem.
Há autores que precisam da renda que a música gera para sobreviver. Esses não podem deixar de receber. É para eles que a Lei existe e, para eles, assim como eu, remuneração significa dignidade e sobrevivência.
O que vem acontecendo, no entanto, não sei se vocês já perceberam, é uma tentativa dos meios de comunicação (que se utilizam de músicas e, portanto, deveriam pagar por tal utilização) de enfraquecer o conceito do direito do autor.
E a quem interessa enfraquecer o direito do autor?
Interessa àqueles que deveriam pagar ou, em resumo, aos próprios meios de comunicação que tentam, via jornais, revistas, televisões e rádios enfraquecer junto à população o conceito do direito de autor.
É uma fórmula bem simples e covarde: quem detém o poder da informação através de uma concessão pública (no caso de rádios e TVs) usa isso para seu próprio benefício, apesar, repito, de serem concessões públicas.
O que mais me surpreende nisso tudo é saber que, por exemplo, o Ministério das Telecomunicações não deixa de renovar as concessões públicas de rádios e TVs INADIMPLENTES com o direito autoral. Uma aberração de comportamento político de órgãos públicos que não se preocupam em fazer valer a lei do Direito do Autor e, some-se a isso, ainda fazem coro para bradar que é preciso flexibilizar o direito do autor que, por exigir a remuneração aos criadores, é tida como muito rigorosa.
Assim, por sua vez, o Ministério da Cultura abre as portas para a discussão com a sociedade sobre uma nova Lei do Direito Autoral.
Bacana. Importante. Mas é uma falácia, é mentira dizer que o problema está na atual Lei do Direito Autoral.
Se é para mudar alguma coisa, modernizar, melhorar, então que tal começar exigindo o pagamento aos artistas? Para isso, é preciso consciência da sociedade e, o principal, vontade política.
A solução é simples. Imaginemos: rádios e TVs que não pagam direitos autorais vão sair do ar, vão perder a concessão pública ou vão ter o sinal cortado.
Cumpriu a Lei, transmitiu. Não cumpriu, saiu do ar.
Não é assim que funciona se a gente deixa de pagar aos bancos? A gente não perde o direito ao crédito? O nosso nome fica sujo. A gente passa a ser banido de futuras transações. A gente sai do ar.
Mas, no Brasil, quem não paga Direito Autoral não fica com o nome sujo, porque existe um incansável e falacioso discurso de que é demais pagar pelo conteúdo artístico.
Reparem nos jornais, nas revistas, nas rádios, nos noticiários: é um massacre de opiniões na intenção de enfraquecer o Direito Autoral e ridicularizar a sua cobrança.
Não concorda em pagar pela música alheia? Ok, viva uma vida sem música.
Ou faça você mesmo a sua música para consumo próprio.
Ou explique ao público pagante que o seu evento não terá músicas, porque você não concorda em ter que pagar por isso. Argumente que você só gosta de pagar para os fornecedores de bebidas e comidas, porque, se você não os pagar, eles não entregam os produtos.
Mudando de assunto, mas ainda falando da perda de noção: se você é artista, parece que você tem a obrigação de proporcionar para o público o prazer de ouvir a música que você faz.
NÃO! É justo o contrário. O público consumidor e os meios de comunicação que utilizam a minha música é que têm que me dar o prazer de me remunerar pelo meu trabalho.
É disso que eu vivo.
Se fosse assim, por essa inversão de valores, deveria-se pensar: os supermercados têm comida para oferecer. Toda a população gosta de comer. Logo, porque os supermercados não oferecem comida de graça?
E tem ocorrido outra tendência enganosa: se você é artista, você passa a ter a quase obrigação de dar uma contrapartida social.
NÃO! A contrapartida social é a arte em si.
Proporcionar isso que se chama de "contrapartida social" cabe aos órgãos públicos de Cultura (Ministério e Secretarias), ou seja, facilitar e incentivar a circulação e o acesso da população aos conteúdos artísticos, musicais, literários, etc. Ao artista cabe ser remunerado pelo trabalho que faz, pelo serviço que presta. Só assim ele continuará produzindo com dignidade humana, profissional e financeira.
O problema é que existe um enorme interesse, Senhoras e Senhores, em fazê-los acreditar, via lavagem cerebral, que pagar pela música é indevido, é arbitrário, é abusivo, é coisa do século passado.
E, se a sociedade acreditar nessa inverdade, o artista fica sem ter o que comer.
Leandro Fregonesi, em 09/03/2012
.
Este texto pode ser copiado, postado e/ou reproduzido NA ÍNTEGRA, livre e gratuitamente, desde que seja citada a fonte e o autor.
sexta-feira, 16 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
É SEMPRE A MESMA VELHA HISTÓRIA
Infelizmente, é o que mais acontece...
Velha História
(Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
É sempre a mesma velha história
O pecado que acontece
Os olhares envelhecem
E um do outro se distrai
É sempre o mesmo velho enredo
Um acorda bem mais cedo
E do quarto sorrateiro se esvai
Tem sempre o mesmo endereço
Esse descaso que eu conheço
Que é vizinho do desprezo
E faz parede com a ilusão
E cai na mesma antiga falha
Quando um foge da batalha
De viver a vida a dois
Depois a mesma velha briga
É um que fica
O outro corre
Um toma um porre
O outro critica
E nada fica
E tudo morre
.
Esse é meu samba mais recente, feito em parceria com Helena Pinheiro, que só me dá alegrias.
Velha História
(Leandro Fregonesi / Helena Pinheiro)
É sempre a mesma velha história
O pecado que acontece
Os olhares envelhecem
E um do outro se distrai
É sempre o mesmo velho enredo
Um acorda bem mais cedo
E do quarto sorrateiro se esvai
Tem sempre o mesmo endereço
Esse descaso que eu conheço
Que é vizinho do desprezo
E faz parede com a ilusão
E cai na mesma antiga falha
Quando um foge da batalha
De viver a vida a dois
Depois a mesma velha briga
É um que fica
O outro corre
Um toma um porre
O outro critica
E nada fica
E tudo morre
.
Esse é meu samba mais recente, feito em parceria com Helena Pinheiro, que só me dá alegrias.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
A EUFORIA INVADE O PAÍS
Tá chegando a hora de alforriar a alegria.
Quem curtir, curtiu. Quem zoar, zoou. Quem brincar, brincou. Quem sonhar, sonhou.
ALFORRIA DA ALEGRIA
(Leandro Fregonesi / Rafael dos Santos)
Traz a paixão
Do seu olhar
Nessa ilusão
Vem festejar
Me envolver
No seu calor
Vem meu amor
É só querer
Deixa voar
Seu coração
Feito um balão
Solto no ar
Vem me abraçar
Na multidão
E a emoção vai nos levar
É carnaval
Nas ruas, nos salões, pela cidade
A alforria da alegria
Fantasia a liberdade
A euforia invade o País
Na batucada, uma gelada
A gente quer é ser feliz
Quem curtir, curtiu. Quem zoar, zoou. Quem brincar, brincou. Quem sonhar, sonhou.
ALFORRIA DA ALEGRIA
(Leandro Fregonesi / Rafael dos Santos)
Traz a paixão
Do seu olhar
Nessa ilusão
Vem festejar
Me envolver
No seu calor
Vem meu amor
É só querer
Deixa voar
Seu coração
Feito um balão
Solto no ar
Vem me abraçar
Na multidão
E a emoção vai nos levar
É carnaval
Nas ruas, nos salões, pela cidade
A alforria da alegria
Fantasia a liberdade
A euforia invade o País
Na batucada, uma gelada
A gente quer é ser feliz
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Carnaval 2012
Essa época do ano é bem especial pra nós, compositores. É quando a gente se obriga a se reunir para compor para os Blocos e disso surgem muitos outros sambas de meio de ano.
É quando a gente sonha que o povo vai cantar o que a gente faz.
É quando as várias Baterias e seus ritmistas sorridentes nos fazem balançar e acreditar que a força do Brasil não é só econômica.
É quando o povo se enfeita e a cidade atinge o seu apogeu: os cidadãos ocupando seus territórios, seus bairros, suas ruas. É quando o Brasil anda pra frente e dançando, todos juntos, com os pés no chão, seguindo algum som que se mistura com o chiado do arrastar das sandálias e chinelas.
É quando os beijos na boca são mais molhados e tão ardentes quanto explícitos, porque redescobre-se que amar é bom.
É quando a renda per capta não se pode calcular, porque na rua é todo mundo igual.
Bom Carnaval!
.
E esse é o nosso samba concorrente pro bloco Simpatia É Quase Amor.
Sacode, Bateria!
SIMPATIA - 2012 by leandrofregonesi
“PRO MUNDO SE ACABAR NO SIMPATIA”
(Ciraninho / Leandro Fregonesi / Rafael dos Santos / Marcão / Ian Moura / Elyzinho)
DE AMARELO E LILÁS
VOCÊ PASSA, EU VOU ATRÁS
O MEU ÚLTIMO DESEJO
É MORRER TE DANDO UM BEIJO
AS TROMBETAS VÃO TOCAR
NESSA DATA SEM JUÍZO
NOSSO BLOCO VAI PASSAR
DESFILAR NO PARAÍSO
AMOR, DEIXA OS MAIAS PRA LÁ
NOSTRADAMUS TAMBÉM
CHEGA MAIS, VEM SAMBAR
CANSEI DESSE PAPO DO ALÉM
DEIXA O MUNDO ACABAR
MEU BEM (Olha, Amor)
MAS...
SE O FIM DOS TEMPOS NÃO ACONTECER
O SOL SE FOR E A LUA APARECER
O NOSSO QUASE AMOR PODE VINGAR
AÍ... O UNIVERSO VAI SE ALINHAR
E A NOSSA BATERIA VAI ARREPIAR
PRA IPANEMA SE ENCANTAR
VEM NA PALMA DA MÃO
CAI NA FOLIA
VEM BRINCAR NO SIMPATIA
2012, NÃO LEVE A MAL!
FIM DO MUNDO É NÃO CURTIR O CARNAVAL!
É quando a gente sonha que o povo vai cantar o que a gente faz.
É quando as várias Baterias e seus ritmistas sorridentes nos fazem balançar e acreditar que a força do Brasil não é só econômica.
É quando o povo se enfeita e a cidade atinge o seu apogeu: os cidadãos ocupando seus territórios, seus bairros, suas ruas. É quando o Brasil anda pra frente e dançando, todos juntos, com os pés no chão, seguindo algum som que se mistura com o chiado do arrastar das sandálias e chinelas.
É quando os beijos na boca são mais molhados e tão ardentes quanto explícitos, porque redescobre-se que amar é bom.
É quando a renda per capta não se pode calcular, porque na rua é todo mundo igual.
Bom Carnaval!
.
E esse é o nosso samba concorrente pro bloco Simpatia É Quase Amor.
Sacode, Bateria!
SIMPATIA - 2012 by leandrofregonesi
“PRO MUNDO SE ACABAR NO SIMPATIA”
(Ciraninho / Leandro Fregonesi / Rafael dos Santos / Marcão / Ian Moura / Elyzinho)
DE AMARELO E LILÁS
VOCÊ PASSA, EU VOU ATRÁS
O MEU ÚLTIMO DESEJO
É MORRER TE DANDO UM BEIJO
AS TROMBETAS VÃO TOCAR
NESSA DATA SEM JUÍZO
NOSSO BLOCO VAI PASSAR
DESFILAR NO PARAÍSO
AMOR, DEIXA OS MAIAS PRA LÁ
NOSTRADAMUS TAMBÉM
CHEGA MAIS, VEM SAMBAR
CANSEI DESSE PAPO DO ALÉM
DEIXA O MUNDO ACABAR
MEU BEM (Olha, Amor)
MAS...
SE O FIM DOS TEMPOS NÃO ACONTECER
O SOL SE FOR E A LUA APARECER
O NOSSO QUASE AMOR PODE VINGAR
AÍ... O UNIVERSO VAI SE ALINHAR
E A NOSSA BATERIA VAI ARREPIAR
PRA IPANEMA SE ENCANTAR
VEM NA PALMA DA MÃO
CAI NA FOLIA
VEM BRINCAR NO SIMPATIA
2012, NÃO LEVE A MAL!
FIM DO MUNDO É NÃO CURTIR O CARNAVAL!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
UMA GRANDE MULHER
DAQUILO QUE É FEITA UMA GRANDE MULHER
(Leandro Fregonesi)
Brincos, pulseiras, roupas, lenços, louças, copos, amor, panos, detergente, armário, cama, cabide, mesa, cadeira, toalha, cortina, prendedor, sabão em pó, rodo, ferro, luz, tomada, vassoura, amor, xampu, sabonetes, cremes, maquiagens, varal, sapatos, blusas, vestidos, calcinhas, sutiãs, saias, sandálias, amor, chefe, trabalho, contas, seguros, dúvidas, cólicas, medos, conquistas, planos, assertividade, organização, companheirismo, amor, paciência, lisura, retidão, esperança, otimismo, fé, bom humor, gargalhadas, inteligência, música, discernimento, amor, amizade, bom senso, maturidade, praticidade, raiva, perdão, disponibilidade, amor.
Da fibra que é feita uma grande mulher
Podem-se pegar migalhas
Para alimentar mil bocas
Da luz que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um feixe
Para iluminar Paris
Do perfume que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o rastro
Para perfumar a lua
Do sofrimento que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um tico
Para escurecer os céus
Do gosto que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um grama
Para temperar planícies
Da humildade que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o exemplo
Para clarear as mentes
Da fé que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o intento
Para explodir as dúvidas
Da independência que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um gesto
Para se girar o Globo
Das lágrimas que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um gole
Para inundar cidades
Da sensualidade que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar metade
Para congelar os verbos
Da história que é feita uma grande mulher
Podem-se pegar minutos
Para refazer os séculos
Dos caminhar que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um passo
Para se chegar a Deus
Da sabedoria que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar a frase
Para instruir os homens
Dos erros que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar a causa
Para a solução das trevas
Da paz que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um décimo
Para dissolver as guerras
Da força que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um joule
Para interromper os mísseis
Da dor que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um quinto
Para incendiar os povos
Dos sonhos que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um frame
Para alterar os mapas
Do calor que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar as cinzas
Para evaporar as pedras
Dos tropeços que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um tombo
Para desfazer galáxias
Da inteligência que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um nada
Para alterar conceitos
Dos mistérios que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um deles
Para controlar os ventos
Dos medos que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o menor
Para espantar demônios
Da biografia que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um texto
Para refazer as Leis
Da menina que é feita uma grande mulher
Nada poderá ser pego
Nunca.
(Leandro Fregonesi)
Brincos, pulseiras, roupas, lenços, louças, copos, amor, panos, detergente, armário, cama, cabide, mesa, cadeira, toalha, cortina, prendedor, sabão em pó, rodo, ferro, luz, tomada, vassoura, amor, xampu, sabonetes, cremes, maquiagens, varal, sapatos, blusas, vestidos, calcinhas, sutiãs, saias, sandálias, amor, chefe, trabalho, contas, seguros, dúvidas, cólicas, medos, conquistas, planos, assertividade, organização, companheirismo, amor, paciência, lisura, retidão, esperança, otimismo, fé, bom humor, gargalhadas, inteligência, música, discernimento, amor, amizade, bom senso, maturidade, praticidade, raiva, perdão, disponibilidade, amor.
Da fibra que é feita uma grande mulher
Podem-se pegar migalhas
Para alimentar mil bocas
Da luz que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um feixe
Para iluminar Paris
Do perfume que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o rastro
Para perfumar a lua
Do sofrimento que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um tico
Para escurecer os céus
Do gosto que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um grama
Para temperar planícies
Da humildade que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o exemplo
Para clarear as mentes
Da fé que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o intento
Para explodir as dúvidas
Da independência que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um gesto
Para se girar o Globo
Das lágrimas que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um gole
Para inundar cidades
Da sensualidade que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar metade
Para congelar os verbos
Da história que é feita uma grande mulher
Podem-se pegar minutos
Para refazer os séculos
Dos caminhar que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um passo
Para se chegar a Deus
Da sabedoria que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar a frase
Para instruir os homens
Dos erros que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar a causa
Para a solução das trevas
Da paz que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um décimo
Para dissolver as guerras
Da força que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um joule
Para interromper os mísseis
Da dor que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um quinto
Para incendiar os povos
Dos sonhos que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um frame
Para alterar os mapas
Do calor que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar as cinzas
Para evaporar as pedras
Dos tropeços que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um tombo
Para desfazer galáxias
Da inteligência que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um nada
Para alterar conceitos
Dos mistérios que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um deles
Para controlar os ventos
Dos medos que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar o menor
Para espantar demônios
Da biografia que é feita uma grande mulher
Pode-se pegar um texto
Para refazer as Leis
Da menina que é feita uma grande mulher
Nada poderá ser pego
Nunca.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Vai na Fé
Penso, cada dia mais, que é preciso o ser humano confiar no ser humano.
É como disse o poeta Thiago de Mello, no seu maravilhoso texto 'Os Estatutos do Homem' (Ato Institucional Permanente):
"Fica decretado que o homem
Não precisará, nunca mais, duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
Como a palmeira confia no vento
Como o vento confia no ar
Como o ar confia no campo azul do céu.
O homem confiará no homem
Como um menino confia em outro menino."
.
Nessa mesma linha, tem uma outra frasesinha simples, afirmativa e assertiva que me foi ensinada num Centro de Umbanda:
"Acredito na vitória do ser humano".
(Caboclo João da Mata)
.
Acho também que é bom ter fé. Não custa nada, não dói e não faz mal nenhum.
Confiança e fé, pra mim, estão intimanente ligadas.
.
Ter confiança e ter fé são opções que fazemos na vida.
Alguns optam, livremente, por sim. Outros, também livremente, por não as ter.
Eu optei por sim.
E peço que minha fé seja aumentada a cada novo Sol.
.
Pois bem, em 7 de abril de 2010, eu comecei a compor um refrão, que deveria ser como um mantra, um alento, uma esperança: "Vai na fé".
E fui colocando na letra algumas referências sobre a fé e a confiança.
A música nasceu em forma de ijexá.
.

Um dia, a cantora Kris Maciel, que já tinha ouvido a música quando cantei em Brasília, me perguntou se poderia gravá-la. Respondi que sim.
Tempos depois, recebo do amigo Rafael dos Anjos, produtor e arranjador do disco da Kris, esta gravação, que me trouxe uma emoção difícil de descrever.
Ouçam com atenção. E, por favor, ouçam até o fim...
KRIS MACIEL vai na fe by leandrofregonesi
VAI NA FÉ
(Leandro Fregonesi)
Vai na fé, vai na fé
Vai na fé, vai na fé
Vai na fé
É só seguir o que falou Jesus de Nazaré
É relembrar palavras do Profeta Maomé
É só reler as cartas de Francisco Xavier
É respeitar os rituais de Umbanda e Candomblé
É ter na mão uma oração pro que der e vier
Fazer o bem a todo mundo que puder
Tem que cair e levantar pra ver como é que é
Tem que pedir e confiar bem mais que São Tomé
Tem que sorrir, tem que chorar, tem que ficar de pé
Bater cabeça pra pedir e receber axé
Tem que entender o que se deu na Arca de Noé
Glorificar Santa Maria e São José
Acreditar que a cura vem das ervas do Pajé
Andar pra frente pra não ter jamais que andar de ré
Tem que cantar, tem que dançar na força do afoxé
E tem que ver se no terreiro tem Oxumaré
Quem tudo perde geralmente é quem tudo quer
Vai trabalhar, depois passar o seu boné
.

Depois de um tempo sem cantar essa música, resolvi colocá-la de volta no repertório do show que fiz no Teatro Café Pequeno. Relembrei o quanto ela é especial pra mim, tanto na minha vida pessoal, quanto no meu acervo de obras.
Eu canto ela mais ou menos assim (registro feito no Samba da Vela - São Paulo):
.
Uma música que só me traz coisa bacana e me proporciona momentos em que eu tenho a certeza de que vale a pena o ser humano confiar no ser humano.
E vale a pena acreditar na vida, no plantio e no trabalho.
.
Eu tenho fé!
Eu vou na fé!
.
Ps: O texto e a voz inseridos na gravação da Kris Maciel são de Sérgio Magalhães.
É como disse o poeta Thiago de Mello, no seu maravilhoso texto 'Os Estatutos do Homem' (Ato Institucional Permanente):
"Fica decretado que o homem
Não precisará, nunca mais, duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
Como a palmeira confia no vento
Como o vento confia no ar
Como o ar confia no campo azul do céu.
O homem confiará no homem
Como um menino confia em outro menino."
.
Nessa mesma linha, tem uma outra frasesinha simples, afirmativa e assertiva que me foi ensinada num Centro de Umbanda:
"Acredito na vitória do ser humano".
(Caboclo João da Mata)
.
Acho também que é bom ter fé. Não custa nada, não dói e não faz mal nenhum.
Confiança e fé, pra mim, estão intimanente ligadas.
.
Ter confiança e ter fé são opções que fazemos na vida.
Alguns optam, livremente, por sim. Outros, também livremente, por não as ter.
Eu optei por sim.
E peço que minha fé seja aumentada a cada novo Sol.
.
Pois bem, em 7 de abril de 2010, eu comecei a compor um refrão, que deveria ser como um mantra, um alento, uma esperança: "Vai na fé".
E fui colocando na letra algumas referências sobre a fé e a confiança.
A música nasceu em forma de ijexá.
.

Um dia, a cantora Kris Maciel, que já tinha ouvido a música quando cantei em Brasília, me perguntou se poderia gravá-la. Respondi que sim.
Tempos depois, recebo do amigo Rafael dos Anjos, produtor e arranjador do disco da Kris, esta gravação, que me trouxe uma emoção difícil de descrever.
Ouçam com atenção. E, por favor, ouçam até o fim...
KRIS MACIEL vai na fe by leandrofregonesi
VAI NA FÉ
(Leandro Fregonesi)
Vai na fé, vai na fé
Vai na fé, vai na fé
Vai na fé
É só seguir o que falou Jesus de Nazaré
É relembrar palavras do Profeta Maomé
É só reler as cartas de Francisco Xavier
É respeitar os rituais de Umbanda e Candomblé
É ter na mão uma oração pro que der e vier
Fazer o bem a todo mundo que puder
Tem que cair e levantar pra ver como é que é
Tem que pedir e confiar bem mais que São Tomé
Tem que sorrir, tem que chorar, tem que ficar de pé
Bater cabeça pra pedir e receber axé
Tem que entender o que se deu na Arca de Noé
Glorificar Santa Maria e São José
Acreditar que a cura vem das ervas do Pajé
Andar pra frente pra não ter jamais que andar de ré
Tem que cantar, tem que dançar na força do afoxé
E tem que ver se no terreiro tem Oxumaré
Quem tudo perde geralmente é quem tudo quer
Vai trabalhar, depois passar o seu boné
.

Depois de um tempo sem cantar essa música, resolvi colocá-la de volta no repertório do show que fiz no Teatro Café Pequeno. Relembrei o quanto ela é especial pra mim, tanto na minha vida pessoal, quanto no meu acervo de obras.
Eu canto ela mais ou menos assim (registro feito no Samba da Vela - São Paulo):
.
Uma música que só me traz coisa bacana e me proporciona momentos em que eu tenho a certeza de que vale a pena o ser humano confiar no ser humano.
E vale a pena acreditar na vida, no plantio e no trabalho.
.
Eu tenho fé!
Eu vou na fé!
.
Ps: O texto e a voz inseridos na gravação da Kris Maciel são de Sérgio Magalhães.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
SALVE OS POETAS VAGABUNDOS!
Hoje é o DIA DO COMPOSITOR!
Poeta Vagabundo by leandrofregonesi
POETA VAGABUNDO
(Leandro Fregonesi / Vinícius Oliveira)
FIZ UM SAMBA E AGRADEÇO À LUA
TESTEMUNHA DESSA SOLIDÃO
PEGUEI MEU VIOLÃO SAÍ DE CASA
A TRISTEZA BATEU ASA DO MEU CORAÇÃO
E AGORA VEM VOCÊ DIZER
QUE QUER VOLTAR PRO SEU POETA
NÃO, NÃO TEM MAIS JEITO
FALTOU RESPEITO NO SEU TOM DE IRONIA
SOU POETA NÃO SOU VAGABUNDO
NESSE MUNDO DE HIPOCRISIA
PODE CHORAR PODE FALAR PRA TODO MUNDO
SEU POETA VAGABUNDO PREFERIU A BOEMIA
VOCÊ QUE SÓ PENSA EM LUXO, DINHEIRO, GRANDEZA E RIQUEZA
NÃO VÊ A NOBREZA DO MEU SENTIMENTO
SÓ FEZ MALDIZER A MINHA VOCAÇÃO
OLHA QUE O TEU PRECONCEITO TÁ FORA DE MODA
EU CANTO ESSE SAMBA NO SAMBA DE RODA
E O POVO ME APLAUDE COM SATISFAÇÃO
SOU POETA NÃO SOU VAGABUNDO
NESSE MUNDO DE HIPOCRISIA
PODE CHORAR PODE FALAR PRA TODO MUNDO
SEU POETA VAGABUNDO PREFERIU A BOEMIA
Poeta Vagabundo by leandrofregonesi
POETA VAGABUNDO
(Leandro Fregonesi / Vinícius Oliveira)
FIZ UM SAMBA E AGRADEÇO À LUA
TESTEMUNHA DESSA SOLIDÃO
PEGUEI MEU VIOLÃO SAÍ DE CASA
A TRISTEZA BATEU ASA DO MEU CORAÇÃO
E AGORA VEM VOCÊ DIZER
QUE QUER VOLTAR PRO SEU POETA
NÃO, NÃO TEM MAIS JEITO
FALTOU RESPEITO NO SEU TOM DE IRONIA
SOU POETA NÃO SOU VAGABUNDO
NESSE MUNDO DE HIPOCRISIA
PODE CHORAR PODE FALAR PRA TODO MUNDO
SEU POETA VAGABUNDO PREFERIU A BOEMIA
VOCÊ QUE SÓ PENSA EM LUXO, DINHEIRO, GRANDEZA E RIQUEZA
NÃO VÊ A NOBREZA DO MEU SENTIMENTO
SÓ FEZ MALDIZER A MINHA VOCAÇÃO
OLHA QUE O TEU PRECONCEITO TÁ FORA DE MODA
EU CANTO ESSE SAMBA NO SAMBA DE RODA
E O POVO ME APLAUDE COM SATISFAÇÃO
SOU POETA NÃO SOU VAGABUNDO
NESSE MUNDO DE HIPOCRISIA
PODE CHORAR PODE FALAR PRA TODO MUNDO
SEU POETA VAGABUNDO PREFERIU A BOEMIA
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